Brasil pode ser celeiro global de processamento de dados, avalia Galapagos Capital
Brasil pode se tornar líder global em processamento de dados, afirma Galapagos Capital
26/02/2026 13h53
Atualizado há 20 minutos
SÃO PAULO, 26 Fev (Reuters) – A América Latina possui vantagens estruturais que a colocam como um hub natural para a próxima fase de expansão da infraestrutura digital, especialmente na construção de data centers. O Brasil tem potencial para se destacar nesse cenário, conforme análise da área de banco de investimentos da Galapagos Capital.
Carlos Parizotto, sócio responsável pela área de banco de investimentos do grupo, afirmou que o país pode se tornar para a economia digital o que foi para o agronegócio: um verdadeiro celeiro global de processamento de dados.
O estudo da Galapagos revela que a demanda global por capacidade de data centers deverá atingir 219 gigawatts até 2030, um aumento significativo em relação aos 82 GW previstos para 2025. O mercado de serviços em nuvem deve ultrapassar US$ 1,6 trilhão no mesmo período, enquanto o setor de inteligência artificial pode chegar a quase US$ 4,8 trilhões até 2034.
A pesquisa aponta que o capital necessário para suprir a lacuna entre oferta e demanda de data centers pode atingir US$ 7,9 trilhões entre 2025 e 2030, num cenário de demanda crescente. Empresas como Alphabet, Meta, Microsoft e Amazon estão acelerando investimentos sem precedentes.
Parizotto destaca que estamos diante de uma mudança geracional, onde a combinação da expansão da nuvem e a explosão da inteligência artificial gera uma demanda por infraestrutura digital que os mercados tradicionais, como Estados Unidos, Europa e Ásia, não conseguem atender sozinhos.
Globalmente, as taxas de vacância em sites de colocation estão em níveis historicamente baixos, com um aumento de cerca de 50% nos preços de locação desde 2020.
A demanda por energia desses centros de processamento de dados, que atualmente representa aproximadamente 3,5% da geração global de eletricidade, deve superar 9% até 2030, tornando a disponibilidade de energia o principal obstáculo para a expansão do setor.
Nesse contexto de escassez global, a Galapagos identifica a América Latina como uma região de destaque, ressaltando vantagens como energia mais limpa, mais barata e com excedente, além de um mercado subpenetrado com grande potencial de crescimento.
O Brasil, segundo o grupo de investimentos, atua como um centro de gravidade, respondendo por cerca de 54% da demanda total latino-americana.
O país possui atributos excepcionais para data centers, como energia predominantemente renovável, preços de eletricidade abaixo da média global, uma rede elétrica interligada e conectividade por cabos submarinos. Além disso, um marco regulatório competitivo está em vigor.
Atualmente, o Brasil conta com 189 data centers, sendo 70% localizados na região Sudeste, com São Paulo se destacando como um hub indiscutível. O mercado deve crescer de US$ 5,3 bilhões em 2024 para US$ 7,1 bilhões até 2029.
A Galapagos enfatiza que o arcabouço regulatório brasileiro passou por melhorias significativas, especialmente com a Política Nacional de Data Centers (PNDC), que, por meio do programa ReData, elimina impostos federais sobre equipamentos para data centers, reduzindo a carga tributária do setor.
A redução da carga tributária de 52% para 18% sobre equipamentos de TIC é considerada transformacional, impactando significativamente o retorno dos projetos. Estimativas do Ministério da Fazenda indicam que o ReData pode atrair até R$ 2 trilhões em investimentos privados ao longo de dez anos.
Além disso, o estudo aponta a extensão dos benefícios das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) a serviços digitais, incluindo data centers voltados para IA e infraestrutura de nuvem.
Outros países da região em destaque
O estudo também identificou Chile, México e Colômbia como mercados-chaves na região, com Parizotto ressaltando que quem se posicionar agora terá vantagens competitivas.
No Chile, a expectativa de crescimento anual da capacidade instalada é de 18-19% até 2030, alcançando 579 megawatts. Santiago concentra mais de 85% da capacidade atual e oferece incentivos fiscais de 30% sobre investimentos na região de Arica & Parinacota.
Para o México, o crescimento da demanda deve ser de 31% ao ano, alcançando mais de 1.300 megawatts em 2032. A proximidade com os Estados Unidos e acordos comerciais, como o USMCA, aumentam a competitividade do país.
A Colômbia projeta um crescimento de 33% ao ano na demanda, com Bogotá concentrando 70% dos 42 data centers existentes. O país oferece incentivos, como dedução de 50% no imposto de renda para projetos renováveis e isenção de tarifas e IVA para equipamentos de energia limpa.
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