Braga Netto não pode ser condenado só por prints e delação, diz defesa
Defesa de Braga Netto critica cerceamento de direitos no STF
Durante a sustentação oral no julgamento de ex-integrantes do governo, o advogado José Luiz de Oliveira Lima, que representa o ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro em 2022, general Walter Braga Netto, argumentou que o processo no STF é marcado por cerceamentos de defesa e pela falta de condições adequadas para o exercício do contraditório.
Ele ressaltou que a denúncia abrange mais de 70 terabytes de documentos, 225 milhões de mensagens e áudios, além de 1,2 mil celulares apreendidos em diversos procedimentos relacionados.
De acordo com o advogado, a defesa só teve acesso ao conteúdo em maio de 2025, dois dias antes do início da instrução, o que impossibilitou uma análise adequada do material.
"Não seria razoável que as defesas tivessem um pouco mais de tempo para analisar esse processo?", questionou.
Outro ponto abordado foi a negativa para a gravação da acareação entre Braga Netto e Mauro Cid.
José Luiz lembrou que todos os atos processuais da ação, como interrogatórios e oitivas de testemunhas, foram públicos e gravados, mas a acareação não seguiu o mesmo padrão.
"Com a máxima vênia, com o máximo respeito, não existe fundamento legal para isso, não existe", afirmou.
Durante sua sustentação, o advogado também destacou os 40 anos de serviços prestados por Braga Netto ao Exército, enfatizando que o general, com 69 anos, possui uma carreira ilibada e não poderia ser condenado com base em acusações frágeis.
"Se a denúncia for aceita da forma como foi proposta pelo Ministério Público, este homem, que tem 69 anos, passará provavelmente o resto da sua vida no cárcere", concluiu.
Após destacar os cerceamentos no processo, o advogado se concentrou em questionar a credibilidade do acordo de colaboração premiada firmado por Mauro Cid.
Ele afirmou que o ajuste foi feito às pressas, diretamente com a Polícia Federal e sem a participação inicial do Ministério Público, o que violaria decisões anteriores do STF.
Conforme a defesa, o colaborador permaneceu preso por quatro meses e, em apenas três dias, negociou condições, prestando seis depoimentos sobre nove temas.
José Luiz também levantou dúvidas sobre a voluntariedade do acordo, mencionando áudios divulgados na imprensa em que o colaborador se queixa de coação e pressões externas.
"Eles queriam só que eu confirmasse a narrativa deles. Eles estão com a narrativa pronta. Eles não queriam saber a verdade", teria dito Cid em uma das gravações.
O advogado citou ainda a negativa do delator em reconhecer o uso de um perfil falso em redes sociais, revelado posteriormente por reportagens e confirmado por informações da empresa Meta.
"Portanto, ele mentiu à Vossa Excelência no seu interrogatório e mentiu, porque continuou falando com pessoas que não poderiam falar sobre um tema de colaboração premiada, porque é sigiloso. Ele deveria manter o sigilo", afirmou, concluindo que o acordo estaria maculado por três vícios: falta de manifestação inicial do MP, ausência de provas e ausência de voluntariedade.
"Não há a menor dúvida que a voluntariedade neste acordo de colaboração premiada ficou ali, à margem", disse o advogado, solicitando que o STF reavalie a validade da colaboração.
Na parte final da sustentação, o advogado reforçou que a acusação contra o general carece de provas concretas.
Ele destacou que, apesar do volume de documentos apreendidos, nada foi produzido que comprove a participação de seu cliente em planos golpistas.
"E o que tem contra Walter de Souza Braga Netto é esta delação mentirosa e oito prints, oito prints adulterados, e eu vou dizer isso e vou provar isso, já provamos nos áudios. É absolutamente só", afirmou.
José Luiz rebateu a narrativa da PGR de que Braga Netto teria atuado para coordenar a empreitada golpista.
Segundo ele, as acusações se baseiam em versões instáveis de Mauro Cid, que apresentou até sete relatos diferentes sobre encontros e suposta entrega de dinheiro.
O advogado também contestou a tese de que o general teria coordenado ataques virtuais ao alto comando do Exército, afirmando que a acusação se apoia apenas em prints que seriam insuficientes até mesmo para instaurar uma investigação.
Sobre os atos de 8 de janeiro, a defesa sustentou que Braga Netto não teve qualquer participação.
Como exemplos, citou áudios enviados pelo general Mário Fernandes a Braga Netto pedindo apoio a manifestantes.
"Ele não responde ao áudio do general Mário Fernandes e não grava vídeo nenhum, áudio nenhum", afirmou.
O advogado concluiu que uma condenação sem provas abriria uma ferida permanente na democracia.
"A impunidade deixa cicatriz na democracia. É verdade. Mas a condenação de um inocente, a condenação de alguém sem provas, deixa uma ferida aberta para sempre, porque essa não tem como corrigir", disse.
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