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Bradesco: Se petróleo subir a US$ 80, impacto baixista é de 0,2 ponto

Bradesco analisa impactos da alta do petróleo no Brasil

O Bradesco avaliou os efeitos do aumento dos preços do petróleo no Brasil, especialmente diante da intensificação do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Antes da escalada das hostilidades, o preço do barril de Brent estava em torno de US$ 60, mas nesta terça-feira (3) já ultrapassou os US$ 80, refletindo o aumento do risco geopolítico.

Se o petróleo se mantiver nesse patamar, pode retirar até 0,4 ponto percentual do PIB global, impactando o crescimento brasileiro em 0,2 ponto percentual, conforme estimativas do banco em relatório direcionado a clientes.

No que diz respeito ao resultado primário, o impacto pode ser uma alta de 0,3 ponto percentual, considerando que o dólar permaneça em R$ 5,30 e o petróleo a US$ 80. Isso acontece porque o preço da commodity influencia significativamente as receitas do governo.

A alta do petróleo já fez o valor do barril subir mais de 4%, atingindo US$ 81, em meio às tensões no Oriente Médio.

As bolsas da Europa encerraram em queda devido às incertezas relacionadas ao cenário geopolítico, enquanto a Vale enfrentou uma queda de 5% na bolsa, refletindo a aversão ao risco global e o derretimento do Ibovespa.

"Os efeitos imediatos incluem os dividendos da Petrobras, impostos sobre combustíveis e royalties. Ademais, há um impacto adicional através do imposto de renda de empresas do setor", explica o relatório.

Em relação às contas externas, o efeito na balança comercial não é linear. "Embora os preços de importação e exportação estejam fortemente correlacionados com o preço internacional, as variações na quantidade dependem do preço. Um valor de US$ 80 por barril pode resultar em um aumento de US$ 11 bilhões na balança comercial e uma melhoria do déficit em conta corrente de 0,4 ponto percentual do PIB", detalha a análise.

Adicionalmente, a balança comercial e a conta corrente do Brasil se beneficiariam com a alta do petróleo, o que pode fazer com que o real tenha um desempenho superior em relação a outras moedas emergentes, especialmente se o risco geopolítico se mantiver elevado por um período prolongado.

Sobre a política de juros, o Bradesco acredita que, em situações como essa, a política monetária não deve reagir a choques primários.

"A autoridade monetária busca mitigar os efeitos secundários desse tipo de choque. A inflação no Brasil deve se aproximar da meta nos próximos meses, embora haja alguma desancoragem das expectativas de longo prazo. O regime de metas é projetado para acomodar choques como este", conclui o relatório.


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