Bosque Rodrigues Alves atravessa gerações em Belém
Bosque Rodrigues Alves: Patrimônio de Belém
Criado no século XIX, o jardim botânico ocupa 15 hectares de floresta amazônica e é parte fundamental da história urbana e afetiva da capital paraense.
A tranquilidade proporcionada pela natureza é marcante para quem visita o centenário bosque. Com uma área de 150 mil metros quadrados de vegetação nativa, o espaço preserva uma parte significativa da memória de Belém, que, na época da sua inauguração, era conhecida como Marco da Légua.
Antes da expansão da cidade para a área que hoje abriga o bairro do Marco, o local era predominantemente uma mata, e parte dessa floresta é o que compõe o bosque atualmente. O espaço foi inicialmente chamado de Bosque do Marco da Légua, nome que fazia referência ao antigo nome do bairro. O decreto para sua implantação é de 1870, mas a inauguração como parque municipal ocorreu em 25 de agosto de 1883.
Para entender o surgimento do parque, o historiador Diego Pereira Santos destaca que, em 1883, a Amazônia passava por transformações econômicas impulsionadas pela exportação da borracha, dando início ao período conhecido como Belle Époque, marcado por mudanças urbanas em Belém.
Esse cenário de transformação influenciou o desenvolvimento do bairro que abriga o bosque. Naquela época, a região era vista como distante do centro da cidade, com características rurais e a presença dos trilhos da Estrada de Ferro de Bragança. Assim, o bosque experimentou transformações que moldaram suas características atuais.
As Contribuições de Antônio Lemos
Embora o bosque não tenha sido criado durante a gestão de Antônio Lemos, ele foi responsável por modificações importantes na estrutura do local, especialmente no final do século XIX e na primeira década do século XX. Entre as inovações estão construções como grutas, riachos, cascatas e o Memorial do Congresso dos Intendentes Municipais do Estado, inaugurado em 15 de agosto de 1903.
Em 17 de dezembro de 1906, o bosque recebeu seu nome atual em homenagem ao presidente da República, Francisco de Paula Rodrigues Alves. Em julho de 2002, o espaço foi registrado como Jardim Botânico da Amazônia, e em 2008, ganhou o título de Jardim Zoobotânico da Amazônia pelo Ibama.
Memórias que Conectam Gerações
O bosque carrega a história de milhares de moradores de Belém. Ana Luiza Barros, de 18 anos, recorda momentos ao lado dos pais e agora compartilha novas memórias com sua filha, Analice, de apenas 1 ano e 2 meses.
Gilberto Fonseca, de 36 anos, também relembra suas visitas ao bosque na infância, agora acompanhado da esposa, Ana Carolina. Para ele, o espaço traz nostalgia e um ambiente mais atrativo com o passar do tempo.
A aposentada Lais Lira Lima, de 66 anos, voltou ao bosque após sete anos, agora criando novas memórias com sua neta Geyciane, de 9 anos. Para Lais, o retorno é uma oportunidade de reviver as lembranças e desfrutar da natureza.
Desde sua criação em 1870, como Bosque do Marco da Légua, até a mudança para Bosque Rodrigues Alves em 1906, o espaço se tornou um símbolo de conexão entre passado e presente em Belém.
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