intercept

Bolsonarismo atuou como braço político do ‘banco da máfia’ de Vorcaro

Bolsonarismo atuou como braço político do ‘banco da máfia’ de Vorcaro

Até o momento, investigações da Polícia Federal apontam que a extrema direita, ao lado do Centrão, apoiou ativamente o Master – o que distancia o escândalo de ser suprapartidário, como defende a grande imprensa.

O banqueiro, que é também um ex-presidente e atual presidiário de um estado mineiro, mantinha uma milícia particular para fazer serviço sujo, como intimidar funcionários; monitorar autoridades e empresários concorrentes; invadir sistemas do Ministério Público Federal, o MPF, para obter dados sigilosos das investigações contra ele; organizar festas com prostitutas; comprar jornalistas; e bater em outros jornalistas.

Em conversa com seus capangas, Vorcaro falou em forjar uma tentativa de assalto contra um jornalista para poder “quebrar todos os seus dentes”. Um dos integrantes dessa milícia tem um vasto currículo na bandidagem, tendo sido indiciado por roubo de veículos, estelionato, crimes cibernéticos e clonagem de cartões de crédito.

As campanhas eleitorais de Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas foram irrigadas com dinheiro proveniente da rede de contatos de Vorcaro. Seu cunhado, Fabiano Zettel, que também foi preso nesta semana, era o operador financeiro da quadrilha. Ele foi o maior doador individual das campanhas do governador paulista (R$ 3 milhões) e do ex-presidente e atual presidiário Jair Bolsonaro (R$ 2 milhões) em 2022. Além disso, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, revelou no início de março que Vorcaro depositou outros R$ 3 milhões direto na conta particular de Bolsonaro, o que é um evidente crime eleitoral.

Vorcaro é um banqueiro que cresceu em uma rede de contatos extrema direita, incluindo o empresário Nikolas Ferreira, vereador de Belo Horizonte, que tem uma ligação com a Igreja Batista da Lagoinha, uma igreja batista que tem uma forte influência no centro político brasileiro. Já o vereador mais votado de Belo Horizonte, Nikolas Ferreira, é um ex-sócio de Nikolas Ferreira e é pastor da igreja Lagoinha em Belo Horizonte.

Em 2022, a CPMI do INSS listou o vereador Nikolas Ferreira como o maior doador financeiro da campanha de Bolsonaro, com um valor de R$ 1,5 milhão. Além disso, a CPMI também listou a Câmara dos Deputados como um dos maiores doadores financeiros de Bolsonaro, com um valor de R$ 1,4 milhão.

Até o momento, não há evidências de que Bolsonaro tenha beneficiado pessoalmente do dinheiro do banqueiro. Já a Câmara dos Deputados nega que o dinheiro tenha sido usado para financiar as campanhas de Bolsonaro.

Diante desse quadro, como é possível decretar que este é um escândalo “suprapartidário”? O Banco Master nasceu e cresceu no governo Bolsonaro. Seus sócios irrigaram a campanha eleitoral de Bolsonaro. Bolsonaristas trabalharam no Congresso para favorecer o banco.

Se Bolsonaro tivesse sido reeleito em 2022, hoje teríamos o maior doador financeiro da campanha do presidente envolvido no maior escândalo da República. Ou, pior que isso, o escândalo talvez nem existiria, porque a Polícia Federal estaria impedida de investigar o caso.

Essa falsa equivalência tem ficado popularizada na grande imprensa e será usada pelo bolsonarismo para blindar os verdadeiros operadores do lobby pró Banco Master. Parece inacreditável, mas o fato é que, apesar do DNA bolsonarista, o escândalo tem arranhado mais a imagem da candidatura do Lula do que a de Flávio Bolsonaro. Percebam que o filho de Bolsonaro está caladinho sobre o caso. Ele tem desfrutado dessa falsa equivalência, subindo nas pesquisas e sem precisar explicar o envolvimento pornográfico do seu grupo político com os gângsters do Master.


← Voltar para as notícias