Bola de Ouro há 40 anos, craque do Bangu é retratado em documentário feito pelo filho: “Me senti abraçado”
Documentário retrata a trajetória de Marinho, craque do Bangu, feito pelo filho
Com a participação de nomes como Zico e Renato Gaúcho, o filme sobre Marinho está em desenvolvimento há três anos. Steve Wonder busca mostrar a história do pai, que faleceu em 2020, indo além das dificuldades que marcaram sua vida.
Por Raphael Zarko e Ronald Lincoln — Rio de Janeiro
01/08/2025 12h00 Atualizado 01/08/2025
Steve Wonder cria documentário em homenagem ao pai
No cimento de Moça Bonita, Steve Wonder se prepara para uma nova rodada de entrevistas, quando um pombo o surpreende com suas necessidades na camisa preta.
Seu pai, Mário José dos Reis Emiliano, conhecido como Marinho, é um ícone do Bangu, que foi vice-campeão brasileiro em 1985. Há 40 anos, em 31 de julho, Marinho encantava o Brasil, marcando 16 gols em 28 partidas e recebendo a Bola de Ouro, prêmio da revista Placar.
Steve, que tem feito entrevistas para o documentário “Marinho – A história do meu pai” com a ajuda de apenas dois amigos, revela que se sentiu acolhido por cada depoimento: “Até hoje eu não vi ninguém falar mal uma vírgula dele”.
A inspiração para o nome do filme veio de sua mãe, Laiza Minelli, que escutava “Isn't She Lovely” de Stevie Wonder no momento do parto. Outras opções incluíam Michael Jackson e Michael Jordan.
A trajetória e os desafios de Marinho
Com bom humor, Steve pretende reapresentar Marinho para aqueles que o viram jogar e apresentar sua história a novas gerações. O ponta que começou sua carreira no Atlético-MG e enfrentou diversas dificuldades financeiras na juventude, acabou conquistando aplausos no Maracanã.
Alessandro Campos da Silva, diretor do documentário, menciona uma frustração na carreira de Marinho: “Se o pênalti do Ado tivesse entrado ou o gol do Marinho não tivesse sido anulado, a história poderia ser diferente”.
O gol anulado na final contra o Coritiba em 1985 é um dos momentos que ainda ecoam na memória dos torcedores.
Lembranças e legados familiares
Em 1983, Marinho foi contratado por Castor de Andrade, e sua história é repleta de episódios marcantes. Tânia, sua primeira esposa, revela que Castor utilizava dinheiro e brindes para controlar Marinho.
Eduardo Madruga, editor do documentário, expressa seu amor pela história do craque, mesmo sem ter vivido o auge de sua carreira.
Marinho também teve uma breve passagem pela Seleção Brasileira em 1986, onde marcou um gol na vitória sobre a Finlândia.
A vida de Steve e a produção do documentário
Steve, que jogou na base do Botafogo e no Bangu, hoje é supervisor de transporte em uma empresa de tratamento oncológico. Ele decidiu não buscar financiamento coletivo, temendo que isso associasse seu pai à necessidade financeira que enfrentou nos últimos anos.
Marinho faleceu em 15 de junho de 2020, devido a complicações de pancreatite, após uma internação.
Steve deseja que o documentário mostre a trajetória completa de seu pai, incluindo os altos e baixos, ressaltando que a verdade deve ser apresentada em sua totalidade.
Ao longo das filmagens, momentos emocionantes surgem, como quando Alessandro pede aos entrevistados que imaginem Marinho à sua frente por um minuto.
Steve reflete: “A falta que o negão faz é surreal...”.
Conclusão
A produção do documentário visa lançar uma luz sobre a vida de Marinho, celebrando suas conquistas e enfrentando seus desafios. Com depoimentos de colegas e amigos, a obra promete ser uma homenagem sincera ao ídolo do futebol. A previsão de lançamento é para 2026.
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