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Bloqueio longo em Ormuz não afetará só o petróleo; veja cenário para granéis sólidos

Bloqueio prolongado em Ormuz impactará granéis sólidos

03/03/2026 07h00

Atualizado há 11 horas

A extensão do bloqueio imposto pelo Irã no Estreito de Ormuz não afeta apenas o setor de petróleo. As crescentes tensões na região podem comprometer cerca de 30 milhões de toneladas de comércio de granéis sólidos por mês, representando mais de 7% da demanda global por transporte desse tipo de carga, segundo a consultoria de supply chain Drewry.

O Oriente Médio se destaca como um centro comercial vital para graneleiros secos, importando anualmente mais de 150 milhões de toneladas de commodities, incluindo grãos, minério de ferro, carvão, açúcar, arroz, produtos de aço, cimento e clínquer. A região também exporta um volume semelhante, envolvendo fertilizantes, gesso, calcário e pequenos granéis.

Adicionalmente, o comércio intrarregional de granéis secos ultrapassa 50 milhões de toneladas por ano, majoritariamente composto por agregados, areia e produtos de aço. Isso significa que quase 30 milhões de toneladas mensais, tanto de comércio internacional quanto intrarregional, estão suscetíveis a interrupções.

A média de transporte para o comércio internacional de graneleiros secos na região é de aproximadamente 6.000 milhas náuticas, com destinos principalmente na Índia, China, EUA, Europa, Canadá e Brasil. As importações, por sua vez, vêm da Rússia, Índia, China, Turquia e Estados Unidos.

A consultoria ressalta que a exposição das embarcações é significativa, com cerca de 7.000 travessias pelo Estreito de Ormuz anualmente, o que equivale a aproximadamente 20 passagens diárias. Qualquer interrupção prolongada afetaria não apenas o uso da frota, mas também a economia das viagens e os fluxos comerciais na região, mesmo que os volumes reais de carga sejam desviados ou adiados.

Interrupções nos fluxos comerciais

O comércio com o Oriente Médio enfrentaria sérias interrupções, já que armadores e afretadores evitariam riscos elevados de segurança. Atrasos ou cancelamentos em paradas de embarcações nos portos afetados resultariam em uma desaceleração abrupta nas movimentações de granéis secos.

Desvios e aumento das distâncias de viagem

Apesar da crise no Mar Vermelho no ano passado, mais de 2.000 embarcações secas continuaram a passar pelo Canal de Suez mensalmente, embora os volumes ainda estejam abaixo dos níveis anteriores à crise. Com novas ameaças, é provável que essas embarcações evitem totalmente a região, optando pelo desvio pelo Cabo da Boa Esperança.

Esses desvios aumentariam significativamente as distâncias de viagem e os dias de navegação, elevando a demanda por tonelada-milha e absorvendo capacidade adicional de embarcações, o que proporcionaria algum suporte temporário à demanda por granéis secos.

Um conflito prolongado também poderia limitar a disponibilidade de petróleo bruto e GNL, fazendo com que os preços subissem. Nesse contexto, economias que dependem fortemente de energia, especialmente na Ásia e partes da Europa, teriam que aumentar o uso de carvão para geração de energia.

Se as exportações de energia do Oriente Médio permanecerem restringidas por mais de um mês, a demanda por carvão poderá crescer consideravelmente. A Ásia é responsável por quase 90% da demanda global por carvão, com países como Índia, China, Japão e Coreia do Sul importando juntas cerca de 700 milhões de toneladas de carvão térmico em 2025, de um total de mais de 1 bilhão de toneladas no comércio marítimo global.

Assim, qualquer aumento na demanda por carvão resultaria em volumes maiores de comércio e uma maior necessidade de tonelada-milha. A análise da Drewry indica que o desvio de embarcações do Mar Vermelho pelo Cabo da Boa Esperança, aliado à substituição de petróleo e gás por carvão, poderá elevar a demanda por transportadores como Supramax e Panamax.

Aumento nos prêmios de risco de guerra

Outro efeito esperado é o aumento nos prêmios de risco de guerra, que devem subir consideravelmente. Foi amplamente divulgado que a cobertura de risco de guerra será suspensa na região afetada. A cobertura atual se encerrará em 5 de março, e as seguradoras provavelmente oferecerão novos termos para diferentes micromercados. Os operadores de navios poderão optar por contratar novos termos ou se retirar da atividade.

Diante dos riscos de guerra na área de conflito, a cobertura e os prêmios de seguro devem desencorajar armadores, interrompendo temporariamente as operações marítimas na região.


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