Biocombustíveis abrem caminhos de geração de renda e sustentabilidade
Biocombustíveis impulsionam renda e sustentabilidade
A vocação do Piauí para o setor de biocombustíveis é evidenciada pela eficiência dos processos, incentivos fiscais e a modernização da logística.
31/10/2025 07h10 Atualizado há 3 meses
A indústria de biocombustíveis desempenha um papel crucial na transição energética do Brasil, destacando-se como um setor fundamental na nova economia do Piauí. A competitividade nessa área é impulsionada por um ambiente de negócios que valoriza a eficiência operacional, o empreendedorismo e a transparência nas regulações. Durante o Investe Piauí Day, oportunidades para investidores e empresários foram discutidas por Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, e Mauro Carvalho Júnior, acionista da Brasbio.
Com um projeto que visa produzir 220 milhões de litros de etanol anualmente, a Brasbio escolheu o município de Uruçuí devido à união entre processos ágeis e políticas públicas de incentivo. A planta, que está em construção, já emprega cerca de 1,5 mil funcionários, sendo que 70% deles são piauienses. “O estado oferece isenção de ICMS para investimentos industriais inovadores e possui secretarias altamente capacitadas, que compreendem os contextos locais e têm autonomia decisória. Essa característica é vital para superar burocracias e definir metas com rapidez e clareza”, afirmou.
A Be8, líder na produção nacional de biodiesel, começou sua trajetória na região com a compra de uma usina em Floriano no ano anterior. Atualmente, a empresa produz 540 milhões de litros de biodiesel por ano, utilizando soja, gordura animal e óleo de cozinha como principais matérias-primas.
Os planos de expansão incluem a criação de uma segunda unidade para o BeVant, um biocombustível patenteado que pode ser utilizado 100% puro em motores a diesel. “O Piauí já é um grande produtor de grãos e possui condições naturais ideais para ampliar sua atuação no setor. A abordagem de negócios que está sendo adotada no estado oferece uma oportunidade significativa para agregar valor com a industrialização de insumos em cadeias sustentáveis”, comentou Battistella.
Entre os diferenciais competitivos da região, empresários ressaltaram os benefícios dos investimentos em infraestrutura promovidos pelo governo local. Localizado próximo a grandes cinturões agrícolas, o Piauí busca se consolidar como um hub logístico para a indústria de grãos com a inauguração do Porto Piauí, facilitando o escoamento para um centro de nível internacional.
“A presença de uma rede eficiente de portos, hidrovias e rodovias é crucial para o desenvolvimento da indústria de energia limpa e para o agronegócio em geral. Isso não só reduz custos de frete e aumenta a rentabilidade, como também incentiva a modernização da produção agrícola, criando um ciclo virtuoso de sustentabilidade e geração de empregos”, concluiu Battistella.
Agroindústria e mineração sustentável promovem desenvolvimento estratégico
O Piauí atrai investimentos em grãos, proteína animal e minerais de baixo impacto ambiental, com energia limpa e mão de obra qualificada.
Com a matriz energética mais limpa do Brasil — 99,75% proveniente de fontes renováveis —, o Piauí se destaca em duas frentes de expansão estratégica: agroindústria e mineração sustentável. Durante o Investe Piauí Day, as oportunidades nesses setores foram debatidas por André Simão, diretor financeiro da Brazilian Nickel, e Victor Lima, diretor-geral da Atlântica Agroindustrial.
Inserido na região do Matopiba, que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o estado avança na produção de grãos e na extração de minerais essenciais para uma economia de baixo carbono.
“O mundo demanda níquel para a transição energética, presentes em baterias de celulares, computadores, carros elétricos e turbinas eólicas. O Piauí pode ser protagonista nessa nova economia”, afirma André Simão. A Brazilian Nickel está desenvolvendo um dos principais projetos de extração de níquel do país, com previsão de operação em 2029. A planta utiliza tecnologia que reduz o consumo de energia e as emissões de carbono, podendo se tornar uma referência em mineração de baixo impacto ambiental.
Ao mesmo tempo, a produção agrícola no Piauí cresce em escala e complexidade. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a região do Matopiba deve produzir 48 milhões de toneladas de grãos na safra de 2032/33, representando um aumento de 37% e uma área cultivada de 11 milhões de hectares. Essa evolução transformou o perfil produtivo do estado, que antes dependia da importação de milho e soja, tornando-se fornecedor para o Nordeste e base para a expansão de grandes grupos industriais.
A Atlântica Agroindustrial, do grupo cearense SL, exemplifica essa nova fase. A empresa inaugurou, em 2024, uma fábrica de ração no Piauí, abastecida inteiramente pela produção local, e planeja a instalação de uma unidade de embutidos. “Durante muito tempo, o Ceará trazia milho da Argentina, dos Estados Unidos e de estados vizinhos. Hoje, essa fronteira agrícola se consolidou, e o Piauí é nosso principal fornecedor de grãos”, afirma o diretor-geral.
Lima destaca que a decisão de investir no Piauí está relacionada à disponibilidade de grãos, qualidade do solo e clima, além do ambiente empresarial favorável. Ele também enfatiza a importância da qualificação da mão de obra para acompanhar a evolução do setor. “Cada unidade moderna de produção é digital e automatizada. Precisamos de pessoas bem preparadas, e o estado tem avançado na formação técnica”, conclui.
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