Big techs se escondem atrás de outras empresas para operar data centers no Brasil
O que aconteceu na região nordeste do Brasil
Em setembro de 2024, a Microsoft anunciou um investimento de R$ 14,7 bilhões para expandir sua infraestrutura de nuvem e IA em data centers no estado de São Paulo. Mais recentemente, em fevereiro de 2026, a empresa anunciou a inauguração de dois data centers no estado de São Paulo, mas não detalhou as localizações por “motivos de segurança”. No site da Microsoft, há informações sobre data centers em Hortolândia e Sumaré, mas não é especificado se esses são os dois que foram inaugurados.
O data center da Microsoft em Limeira nunca foi construído. A prefeitura de Limeira esclareceu que toda a negociação com as empresas se deu na gestão anterior, do ex-prefeito Mário Botion. O município disse ainda que abriu sindicaturas para apurar os fatos relacionados a essas tratativas. Uma delas, inclusive, está apurando os motivos pelos quais o termo de confidencialidade apresentado por Botion em uma entrevista, assinado pela Microsoft, está apenas em posse dele e não se encontra em nenhum processo administrativo oficial.
A estratégia das big techs de esconder seu interesse enquanto uma empresa intermediária inicia o projeto também se dá por meio do aluguel de estruturas sob sigilo. Dois exemplos disso ocorrem em Uberlândia, cidade do Triângulo Mineiro, e Maringá, no Paraná.
Em ambos os casos, quem assina a empreitada oficialmente é a empresa RT-One, que se apresenta como uma multinacional de tecnologia com presença estratégica nos Estados Unidos, México e Suíça. Isso significa que a empresa desenvolve a infraestrutura e constrói o data center para depois alugá-lo para um ou mais clientes. No ramo, essa modalidade é conhecida como “co-location”.
Segundo uma entrevista do CEO da empresa, Fernando Palamone, ao site Teletime, quase 70% da capacidade computacional do data center de Uberlândia já foi contratada – embora ele não revele quem é o cliente. Em seu site, a empresa lista como parceiros grandes nomes da tecnologia e da indústria de IA como Google, Oracle e a fabricante de chips Nvidia.
Mas não há nenhum data center em operação no mundo cujo nome esteja publicamente associado à RT-One. No Brasil, tanto o data center de Uberlândia quanto o de Maringá têm CNPJs específicos, abertos entre agosto e setembro de 2025. A empresa do data center de Maringá está registrada na Junta Comercial de São Paulo, com endereço na zona oeste da cidade, e capital de R$ 12 milhões.
Esses fatos chamaram a atenção de Amanda Gondim, vereadora pelo PSB em Uberlândia, que apontou inconsistentências entre o porte da empresa e o porte do empreendimento anunciado.
“Como uma empresa de pequeno porte que nunca atuou nesse setor vai ter R$ 6 bilhões para investir em um data center do tipo mais raro e complexo que existe no mundo, que é um data center de inteligência artificial?”, disse Gondim, durante uma fala na Câmara Municipal
Em resposta a questionamentos do Intercept, a RT-One disse que já opera infraestruturas de data center através de parcerias no México, Estados Unidos e Europa. A empresa disse ainda que tanto o data center de Maringá quanto o de Uberlândia estão abertos para aluguel.
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