liquidação extrajudicial

BC decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno, de ex-sócio do Master

Liquidação extrajudicial do Banco Pleno é decretada pelo BC

Em 18 de fevereiro de 2026, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, anteriormente conhecido como Banco Voiter. A decisão foi tomada em decorrência da deterioração da situação financeira da instituição, que enfrentava dificuldades de liquidez e restrições para captação de recursos.

O ato oficial, assinado pelo presidente Gabriel Galípolo, destaca que a medida foi necessária devido ao comprometimento da saúde econômico-financeira do banco e ao descumprimento das normas regulatórias. A liquidação abrange também a Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliários S.A., ambas pertencentes ao conglomerado Pleno.

Conforme informações do BC, esse conglomerado representa apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Informações sobre o controlador e a história do banco

O Banco Pleno é controlado por Augusto Ferreira Lima, um banqueiro que ganhou destaque no mercado financeiro após sua parceria com Daniel Vorcaro no Banco Master. Após a liquidação do Master, o nome de Lima passou a ser mais frequente nas discussões do setor.

O ex-Banco Voiter foi incorporado ao conglomerado do Banco Master no início de 2024, mas essa associação foi breve e marcada por incertezas regulatórias. Em julho de 2025, o controle foi transferido de volta para Lima, resultando na formação do Banco Pleno.

O que significa a liquidação extrajudicial

A liquidação extrajudicial é uma ação do Banco Central quando não se vislumbra uma recuperação viável da instituição. Nesse processo, todas as operações do banco são suspensas, e suas obrigações tornam-se vencidas. Não há um prazo estipulado para o término da liquidação, que pode encerrar-se por decisão do BC ou pela falência da instituição.

Com essa medida, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assume a responsabilidade de ressarcir investidores que possuíam CDBs emitidos pelo Banco Pleno, com um limite de até R$ 250 mil por CPF.

No mercado secundário, os títulos do banco passaram a ser negociados com taxas superiores ao CDI, refletindo a desconfiança dos investidores quanto à capacidade de pagamento da instituição.

Situação financeira do Banco Pleno

Em setembro, o Banco Pleno reportou um passivo de aproximadamente R$ 6,8 bilhões, sendo cerca de R$ 5,2 bilhões em CDBs. Desde então, esse montante diminuiu, com o FGC estimando que restam cerca de R$ 4,9 bilhões em depósitos elegíveis à cobertura.

Antes da liquidação, tentativas de venda do banco estavam em andamento, incluindo a possibilidade de integrar a operação com o Credcesta, um cartão de benefício consignado. No entanto, as negociações não prosperaram.

Função do FGC e processo de ressarcimento

O FGC atua como um mecanismo de proteção a investidores, acionado em casos de liquidação ou intervenção de instituições financeiras. Os valores garantidos pelo fundo são provisionados no momento da decretação da liquidação.

O fundo cobre depósitos e investimentos, incluindo contas correntes, CDBs e letras financeiras, com um limite de R$ 250 mil por correntista. Durante a intervenção, a liquidez dos CDBs pode ser temporariamente restrita, enquanto se avalia a situação patrimonial do banco.

O processo de pagamento aos clientes se inicia com a decretação da liquidação pelo Banco Central, que exige que o banco em liquidação forneça uma lista de credores. Após isso, o FGC libera um aplicativo para que os credores registrem suas informações bancárias e realizem o cadastro para recebimento.

O FGC promete agilidade, mas não define um prazo exato para os pagamentos, que podem ser realizados após a validação dos dados dos clientes.


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