BC decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno, de ex-sócio do Master
BC decreta liquidação extrajudicial do Banco Pleno
O Banco Central anunciou na quarta-feira, 18 de outubro, a liquidação extrajudicial do conglomerado prudencial do Banco Pleno, que é controlado por Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e ex-sócio do Banco Master.
Em 2024, a autarquia havia aprovado a compra do Banco Voiter (anteriormente conhecido como Indusval) pelo Master. No ano seguinte, em julho de 2025, foi autorizada a aquisição do Voiter por Lima, que rebatizou a instituição como Banco Pleno S.A..
A decisão de liquidação foi motivada pela grave situação econômico-financeira da instituição, caracterizada pela deterioração da liquidez e pela violação de normas regulatórias, além do descumprimento de determinações do Banco Central do Brasil, conforme nota divulgada pela autarquia.
De acordo com o BC, o grupo é de pequeno porte, representando 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional.
A entidade afirmou que continuará a investigar e apurar responsabilidades dentro de suas competências legais. "O resultado das investigações pode resultar em medidas administrativas e comunicações às autoridades competentes, respeitando as disposições legais aplicáveis. Os bens dos controladores e administradores da instituição em liquidação ficam indisponíveis", acrescentou.
Augusto Ferreira Lima foi preso durante a Operação Compliance Zero, que investigou a emissão de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. Diante de problemas de liquidez, a instituição tentou vender ativos problemáticos ao Banco Regional de Brasília para restaurar seu caixa. A fraude é estimada em R$ 12 bilhões.
A CNN Brasil revelou que o empresário baiano conhecido como "Guga Lima" é um dos nomes que mais preocupou o Palácio do Planalto no contexto do escândalo do Banco Master. Sua relação com o petismo é anterior à de Vorcaro com o Centrão.
Essa conexão começou em 2018, quando Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo Lula no Senado, dirigia a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia durante a gestão do governador Rui Costa (PT) e atual ministro da Casa Civil.
Augusto Lima venceu uma licitação para a venda da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos) e lançou o CredCesta, um cartão de crédito consignado com juros muito abaixo do mercado, focado em funcionários públicos.
O projeto foi bem-sucedido, e o modelo do cartão foi "exportado" para outros estados. Vorcaro enxergou potencial no negócio e, em 2020, Guga Lima entrou na sociedade do Master, trazendo o CredCesta, que se tornou um dos principais ativos do banco.
Com informações de Caio Junqueira, da CNN Brasil.
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