BC decreta liquidação do Banco Pleno, de Augusto Lima, ex-sócio do Master
A liquidação extrajudicial do Banco Pleno foi anunciada pelo Banco Central na manhã desta quarta-feira, incluindo a extensão do regime especial à Pleno DTVM. Em agosto do ano passado, a transferência de controle do banco Voiter, parte do conglomerado do Master, para Augusto Lima foi aprovada, resultando na nova denominação.
De acordo com a autarquia, o conglomerado do Pleno classifica-se como de pequeno porte, representando 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN). A liquidação foi motivada pela deterioração econômico-financeira da instituição, com problemas de liquidez e violações das normas regulatórias. O BC destacou que seguirá apurando responsabilidades e poderá aplicar medidas sancionatórias.
Os bens dos controladores e administradores da instituição estão indisponíveis em função da liquidação.
O Pleno, anteriormente conhecido como Banco Voiter, foi vendido pelo Master a Lima em julho de 2025. Para a autorização da compra, o BC impôs exigências, como aumento de capital e restrições na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para limitar a exposição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Lima enfrentou dificuldades para captar recursos sem a emissão de CDBs, enquanto precisava honrar os vencimentos já existentes. Técnicos do BC, que monitoravam o caixa do Pleno, notaram a deterioração da situação financeira. Recentemente, foi constatado que o banco não possuía liquidez suficiente para cumprir compromissos de curto prazo, levando à decisão de liquidação.
O Banco Pleno possui aproximadamente 160 mil credores com depósitos elegíveis, totalizando R$ 4,9 bilhões conforme o FGC. Os pagamentos serão realizados conforme o regulamento do fundo, a partir dos dados fornecidos pelo liquidante indicado pelo BC. O montante total de R$ 51,8 bilhões também inclui valores de investidores do Master e clientes do Will Bank.
Recentemente, o FGC possuía cerca de R$ 160 bilhões em patrimônio, com aproximadamente R$ 125 bilhões disponíveis para uso imediato. Um plano de recomposição foi aprovado, prevendo antecipações de contribuições pelos bancos.
Até a última atualização, o FGC já havia pago R$ 37 bilhões em garantias aos credores do Master. O fundo decidiu antecipar pagamentos para investidores do Will Bank com valores menores. O Will Bank, que também fazia parte do conglomerado do Master, teve sua liquidação decretada apenas em janeiro, não integrando mais o grupo.
O cenário atual traz à tona questões sobre a saúde financeira do conglomerado e os desafios enfrentados pelos bancos, especialmente em relação à liquidez e à captação de recursos em um ambiente regulatório cada vez mais exigente.
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