Pleno Distribuidora de Títulos

BC decreta liquidação do Banco Pleno, de Augusto Lima, ex-sócio do Master

Andreazza questiona envolvimento de Moraes no caso Master

Andreazza levanta questões sobre a participação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, no caso relacionado ao Master.

BRASÍLIA – Na manhã desta quarta-feira, 18, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, estendendo o regime especial à Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (Pleno DTVM), parte do mesmo grupo. Em agosto do ano passado, o Banco Central já havia aprovado a transferência do controle do Banco Voiter, anteriormente no conglomerado do Master, para Augusto Lima, que passou a operar como Banco Pleno.

Natural de Salvador, o economista Lima era sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Master, e de Maurício Quadrado. Em novembro do ano passado, ele foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras ligadas ao Master.

Na ocasião de sua prisão, a defesa de Lima declarou ter recebido a notícia “com absoluta surpresa”, ressaltando que ele havia se desligado de suas funções no Banco Master em maio de 2024. Em novembro de 2025, o BC decretou a liquidação do Master, e a PF também prendeu Vorcaro nesse mesmo mês.

De acordo com o Banco Central, o conglomerado Pleno é considerado de pequeno porte, com 0,04% do ativo total e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

O Banco Central informou que a liquidação foi motivada pela deterioração da situação econômico-financeira da instituição, apresentando problemas de liquidez e violando normas regulatórias. A autoridade também destacou que continuará a investigar responsabilidades, o que poderá resultar em sanções administrativas e na indisponibilidade dos bens dos controladores e administradores.

Lima começou sua trajetória como banqueiro com a aquisição do Credcesta, um negócio de crédito consignado comprado em uma privatização na Bahia em 2018, durante o governo de Rui Costa. Ele adquiriu a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que operava a rede de supermercados Cesta do Povo, conhecida por seus preços subsidiados.

Menos de um mês após a compra, o governo autorizou servidores a utilizarem o Credcesta para compras no Cesta do Povo, contribuindo para o crescimento rápido do negócio, que logo se espalhou por vários estados.

Lima, que inicialmente estudava microcrédito, não esperava que sua empresa se expandisse tão rapidamente. Ele e Vorcaro se conheceram por intermédio de um amigo e estabeleceram um acordo para que o Master representasse o Credcesta, visando alcançar classes mais populares com produtos financeiros seguros. Em 2019, o Credcesta foi incorporado ao Master, formalizando a parceria.

A liquidação extrajudicial é uma medida do Banco Central para resolver crises em instituições financeiras, visando manter a estabilidade do sistema. Essa ação encerra as operações do banco, retirando-o do SFN, e acontece em casos de insolvência irrecuperável ou graves infrações normativas.

O BC designa um liquidante para vender os ativos e tentar pagar os credores, enquanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em caso de calote.

Não há um prazo fixo para a conclusão da liquidação, que pode ser encerrada por decisão do Banco Central ou pela falência da instituição.


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