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Batuque Ancestral vence pela primeira vez o Carnaval

Batuque Ancestral conquista o Carnaval

A escola de samba Batuque Ancestral fez história ao ganhar, pela primeira vez, o título de campeã do carnaval de Natal, recebendo um prêmio de R$ 60 mil. Promovida recentemente do grupo de acesso, a agremiação foi a primeira a desfilar na avenida no último sábado e alcançou o topo da Série A com um enredo de forte identidade afrocentrada. A escola teve uma pontuação final de 99,7 pontos, perdendo apenas um décimo na comissão de frente e dois na bateria. A apuração ocorreu nesta quarta-feira, 25 de outubro, na sede da Fundação Capitania das Artes (Funcarte).

Fundada em 2018, a Batuque Ancestral apresentou o tema “Kemet: afrocentricidade e conhecimento, batuque é luta contra o apagamento”, ressaltando o legado do Egito Negro como berço de saberes que influenciaram filosofia, medicina e ciência ocidentais. O desfile garantiu o título inédito após uma trajetória marcada por desafios. A diretora da escola, Jamila Halhanna, comentou: “A gente subiu em 2020, mas não conseguiu se manter e voltou para a chave B. Agora conquistamos o título. Nosso tema aborda o que a história não conta sobre a negritude do Egito.”

No grupo de acesso, a campeã foi a Imperatriz Alecrinense, que retorna à elite do carnaval em 2027. A escola venceu com 98,2 pontos ao homenagear o músico potiguar Carlos Zens, no enredo “O majestoso encantador da cultura potiguar”. Com 14 alas, 13 carros alegóricos e cerca de 450 integrantes, a agremiação recebeu um prêmio de R$ 45 mil. O diretor e mestre-sala, Darlielson Barbosa, ressaltou: “Nossa escola está completando 40 anos e trazer Carlos Zens como samba-enredo foi uma forma de brindar essa história com mais um título.” O homenageado celebrou: “Me sinto muito honrado. A comunidade merecia e foi emocionante acompanhar todo o processo.”

A apuração também trouxe um momento negativo para o carnaval potiguar. As tradicionais escolas Malandros do Samba e Balanço do Morro foram rebaixadas para o grupo de acesso. A Malandros do Samba foi desclassificada após um recurso da Balanço do Morro ser aceito pela comissão da Funcarte, que alegou uso de fantasias e alegorias de anos anteriores. Assim, mesmo com a pontuação que a colocaria em segundo lugar, com 98,9 pontos, a Malandros acabou rebaixada. O mestre de bateria, Hugo Monarco, criticou a mudança de regulamento e afirmou que o setor jurídico entrará com recurso.

A Balanço do Morro, que terminou a apuração com a menor pontuação entre as escolas da Série A, 96,4, também enfrentou problemas com alegorias e evolução. A escola comemorava seus 60 anos e buscava o 29º título. Segundo a Funcarte, o desfile foi comprometido por acidentes, resultando na desclassificação. A diretora da Funcarte, Danielle Brito, explicou que é a primeira vez que um caso grave como esse acontece.

No contexto geral, a Império do Vale, representando Ceará-Mirim, conquistou o segundo lugar com 98,2 pontos e um prêmio de R$ 45 mil, homenageando a educadora Leonor Soares. A Águia Dourada, do Alecrim, ficou em terceiro lugar com 97,9 pontos e recebeu R$ 30 mil. Por fim, a Acadêmicos de Morro, de Mãe Luíza, conquistou a quarta premiação de R$ 15 mil, retratando o sertão potiguar com o tema “O diamante da Cultura Potiguar”.


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