fraude financeira

Banco Master revela macro esquema de lavagem de dinheiro, por Luís Nassif

Banco Master expõe esquema de lavagem de dinheiro

A operação do Banco Master revela um esquema de fraude financeira que envolve lavagem de dinheiro, isenção fiscal, propinas e a reciclagem de recursos. O Banco Central autorizou a instituição em 2019, desconsiderando alertas e liquidando-a em 2025 após uma venda malsucedida. O BTG lucrou com CDBs do Master, adquirindo ativos a preços baixos, enquanto fundos e bancos estatais envolvidos na operação enfrentaram significativos prejuízos.

Os dados até agora coletados demonstram que o Banco Master não apenas cresceu desproporcionalmente, mas sim que estava embrenhado em um esquema amplo de fraude, envolvendo múltiplos agentes e uma rede de cumplicidade que ultrapassa a atuação de um único empresário.

O esquema foi estruturado em três pilares principais:

Isenção fiscal concedida a igrejas evangélicas.

Propinas e financiamento de campanhas políticas.

Reciclagem de dinheiro proveniente do crime no mercado financeiro.

A análise mais detalhada do caso vem da reportagem de Consuelo Dieguez, publicada na revista Piauí, que evidencia a operação do Master como resultado de várias instituições atuando em conjunto, com a complacência de autoridades que tinham a capacidade de agir muito antes.

O papel do Banco Central sob a gestão de Roberto Campos Neto foi crucial. Em 2019, a autorização foi concedida mesmo com o histórico problemático de Daniel Vorcaro, o proprietário do banco. Apesar das advertências e ofícios enviados pelo BC cobrando ajustes, a instituição continuou a operar e expandir suas operações.

Quando o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começou a alertar sobre os riscos associados ao Master, o BC insistiu que a situação estava sob controle. Ao final do mandato de Campos Neto, algumas medidas foram tomadas, mas já era tarde demais.

Com a chegada de Gabriel Galípolo ao BC, o cenário se complicou ainda mais. O banco solicitou assistência financeira ao FGC, alertando sobre a possibilidade de uma crise sistêmica. Mesmo assim, as medidas foram limitadas, e processos sancionadores contra o Master foram iniciados.

Estratégias de venda de ativos e tentativas de recuperação financeira foram realizadas, mas com pouco sucesso. O BTG Pactual teve uma posição controversa, lucrando com a venda dos CDBs do Master e adquirindo ativos por valores abaixo do mercado.

Instituições como Voiter, Letsbank e Will Bank foram compradas pelo Master, que, sob a supervisão do BC, começou a emitir CDBs em grande escala, aumentando a captação de recursos.

O Banco Pleno, fundado por Augusto Lima, surgiu rapidamente e levou consigo os ativos mais valiosos do Master, gerando uma série de questionamentos legais.

Investigações revelam o uso de fundos e holdings para operações trianguladas que inflacionaram o balanço do banco. Vários fundos de previdência, incluindo o Rioprevidência, foram severamente impactados, perdendo grandes quantias.

A situação do Banco Master não é apenas um caso de má gestão, mas um reflexo de omissões regulatórias e possíveis conivências que envolvem esferas políticas e até mesmo o crime organizado. As investigações em curso podem revelar uma organização criminosa estruturada, mas é fundamental distinguir entre os fatos já apurados e os que ainda estão sob investigação.


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