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Banco Digimais enfrenta reestruturação após tentativas frustradas de venda, rebaixamento de rating e disputa milionária

Banco Digimais passa por reestruturação após dificuldades financeiras e disputas judiciais

Segunda-feira (23/02/2026) – O Banco Digimais, anteriormente conhecido como Banco Renner e fundado pela família Renner, enfrenta um período crítico em sua história, marcado por rebaixamentos de classificação de risco, tentativas de venda malsucedidas e uma disputa judicial que ultrapassa R$ 460 milhões. Sob a liderança de Edir Macedo, o banco iniciou uma reestruturação significativa com o intuito de recuperar sua credibilidade e estabilizar sua carteira de crédito.

Das origens tradicionais ao digital

A história do Banco Digimais remonta a 1981, quando foi estabelecido em Porto Alegre como uma financeira. Nos anos 1980, a instituição ganhou destaque no financiamento de veículos, especialmente com o Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Em 1991, recebeu autorização para funcionar como um banco múltiplo, adotando a marca Banco Renner.

Por quase trinta anos, manteve uma estrutura de capital fechado e controle familiar, concentrando suas operações na região Sul do Brasil.

Mudanças de controle e reposicionamento estratégico

Em 2009, o Grupo Record, conhecido por seu controle sobre a RecordTV, adquiriu 40% das ações do banco. A transação foi formalizada em 2013, quando Edir Macedo e sua esposa, Ester Bezerra, foram classificados como investidores estrangeiros.

A mudança de controle ocorreu definitivamente em julho de 2020, durante a pandemia, quando Macedo assumiu o comando total da instituição. Com a saída da família Renner, a marca foi rebatizada como Banco Digimais.

Durante os primeiros anos sob a nova gestão, especialmente entre 2020 e 2021, o banco experimentou um crescimento significativo em depósitos e lucros, impulsionado pela liquidez do período.

Desafios recentes: prejuízos e rebaixamento de rating

A partir de 2023, a situação se deteriorou, com oscilações nos resultados, aumento da inadimplência e dificuldades de liquidez. No segundo semestre de 2024, Macedo decidiu colocar o banco à venda na tentativa de conter os prejuízos e focar no setor de mídia.

Embora tenha havido negociações com investidores, incluindo uma avaliação do Nubank, as conversas foram encerradas em novembro de 2025 sem um acordo.

O rebaixamento da classificação de risco se concretizou quando a Fitch Ratings reduziu a nota nacional de longo prazo de ‘BBB-(bra)’ para ‘BB+(bra)’. A Moody’s Local também destacou a presença de ativos problemáticos, sugerindo que o banco precisaria implementar ajustes na gestão de risco.

Litígio e cobranças milionárias

Em fevereiro de 2026, o banco se viu no centro de uma cobrança superior a R$ 460 milhões, movida pelo empresário Roberto Campos Marinho Filho, controlador da Yards Capital. O litígio refere-se ao Fundo de Investimento EXP 1, no qual o Digimais investiu Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) de outras instituições. O investidor alega que esses ativos não têm lastro e notificou o banco para recompra, enquanto a instituição contesta a obrigação.

Reestruturação interna e novo comando executivo

Diante dessa combinação de desafios, o controlador decidiu implementar uma reestruturação interna. Para liderar essa transição, foi contratado Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras. Sua missão envolve a revisão da carteira de crédito, a reorganização da comunicação corporativa e a preparação para uma possível fusão ou venda futura.

Atualmente, o Banco Digimais possui mais de 100 mil clientes e uma carteira de crédito ativa em torno de R$ 3 bilhões, enfrentando o desafio de reduzir a exposição a ativos problemáticos e demonstrar a viabilidade de seu modelo digital em um cenário de juros elevados.


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