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Banco de Edir Macedo é cobrado em R$ 462 milhões por créditos ligados ao Master

Cobrança de R$ 462 milhões ao banco de Edir Macedo

Publicado em: 16/02/2026 23:33

Atualizado em: 16/02/2026 23:33

O Digimais, instituição financeira ligada a Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e proprietário da TV Record, está enfrentando uma cobrança de R$ 462,2 milhões por parte de Roberto Campos Marinho Filho, sócio do fundo EXP 1 e proprietário da Yards Capital. Marinho Filho exige que o Digimais recompre créditos relacionados ao Banco Master, à Reag e à Fictor, alegando que parte dos créditos não possui a documentação necessária. O Digimais, por sua vez, refuta a obrigação de cobrir essas supostas falhas.

A disputa envolve cláusulas de recompra presentes no regulamento do FIDC (fundo de investimento em direitos creditórios). Enquanto Marinho Filho argumenta que há créditos sem lastro, o Digimais defende que a responsabilidade por possíveis irregularidades é das instituições que originaram os empréstimos.

Estrutura do EXP 1

O EXP 1 iniciou suas atividades em fevereiro de 2025 com um capital de aproximadamente R$ 720 milhões. O Digimais possui 80% das cotas, enquanto a Yards Capital detém 20%. Essa estrutura transforma direitos creditórios, especialmente de crédito consignado, em ativos financeiros para investidores.

O diretor jurídico da instituição, Marcelo Brasil, informou que os créditos iniciais totalizavam R$ 722,8 milhões, mas foram ajustados para R$ 659,7 milhões. O banco afirma ter transferido mais de R$ 88 milhões ao fundo, apresentando evidências nos autos do processo.

Créditos e cláusula de recompra

Uma auditoria realizada pela gestora identificou 22.185 CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) no montante de R$ 316,6 milhões sem a documentação adequada. Desses, 13.489 estariam ligados à Fictor, enquanto os restantes envolvem Master e Reag, que estão sob liquidação pelo Banco Central.

Em decorrência disso, o sócio notificou o banco de Edir Macedo para recomprar os R$ 462,2 milhões em ativos. Ele afirma que o contrato prevê essa possibilidade em caso de vícios na carteira. Se a recomposição financeira não ocorrer, novas medidas judiciais poderão ser tomadas.

O Digimais, por outro lado, rejeita a ideia de coobrigação. Em nota, a instituição afirma que as falhas devem ser atribuídas às originadoras dos créditos e que os repasses ao fundo foram devidamente realizados, sem informações sobre a destinação dos valores.

Reestruturação e pressão jurídica

A disputa ocorre em um momento em que o banco de Edir Macedo passa por uma reestruturação interna. Aldemir Bendine assumiu a presidência com a responsabilidade de fortalecer a governança financeira, revisar a precificação de ativos e melhorar o balanço da instituição.

Os sócios também estão discutindo a amortização das cotas, marcada para 28 de fevereiro, que converterá patrimônio em dinheiro para os cotistas. Parte dos recursos relacionados ao Master, Reag e Fictor está sob bloqueio judicial, o que adiciona incerteza ao processo.

A controvérsia em torno do Digimais levanta questões sobre a qualidade dos lastros, a responsabilidade contratual e os riscos associados a fundos estruturados baseados em crédito consignado. O desfecho desse caso poderá impactar a percepção de risco do banco de Edir Macedo em um ambiente regulatório cada vez mais rigoroso e seletivo.


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