Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Banco Master
Banco Central determina liquidação extrajudicial do Banco Master
18/11/2025 07h18
O Banco Central (BC) comunicou na terça-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Master S.A.. O documento, assinado por Gabriel Galípolo, presidente do BC, também inclui a liquidação da Master S.A. Corretora de Câmbio. Posteriormente, a autarquia confirmou que a decisão abrange também o Banco Letsbank S.A. e o Banco Master de Investimento S.A..
A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada liquidante, recebendo amplos poderes de administração e liquidação.
Adicionalmente, a medida torna indisponíveis os bens da controladora Master Holding Financeira, da 133 Investimentos e Participações LTDA, e dos controladores e administradores Daniel Bueno Vorcaro, Armando Miguel Gallo Neto e Felipe Wallace Simonsen.
Nesta manhã, a Polícia Federal também anunciou a prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em São Paulo.
A liquidação ocorre um mês e meio após o BC ter vetado a proposta de compra de uma parte do banco pelo Banco de Brasília (BRB), que estava em análise desde março.
Com essa decisão, o BC encerra as negociações do Master com o Grupo Fictor, anunciadas na noite de segunda-feira (17).
O que é liquidação extrajudicial
A liquidação extrajudicial é uma ação que o Banco Central toma quando não há um plano viável para a recuperação da instituição.
Nesse regime, as atividades do banco são interrompidas, e ele é retirado de forma organizada do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Isso implica na suspensão de todas as operações e na consideração das obrigações do banco como vencidas.
Não há um prazo definido para a conclusão da liquidação, que pode ser encerrada por decisão do Banco Central ou pela decretação da falência da instituição.
Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) assume a responsabilidade de ressarcir os credores do Banco Master, respeitando os limites de cobertura estabelecidos pelo fundo. Segundo o FGC, os pagamentos começarão após a recepção da base de dados de clientes pela empresa designada pelo BC para a liquidação.
Ainda está em dúvida se essa cobertura incluirá os CDBs emitidos pelo Banco Master de Investimento, que não foi mencionado diretamente pelo FGC em comunicados. O InfoMoney aguarda esclarecimentos do fundo.
O FGC é uma entidade privada que protege investidores em casos de intervenção, liquidação extrajudicial ou insolvência de instituições financeiras associadas, como o Master.
Os valores garantidos pelo fundo são provisionados no momento da liquidação.
O fundo permite a recuperação de depósitos ou créditos de até R$ 250 mil por correntista, limitados a R$ 1 milhão a cada quatro anos. Valores acima desse limite não são ressarcidos.
O FGC cobre depósitos e investimentos, incluindo conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA, entre outros. O fundo também leva em conta impostos, como Imposto de Renda e IOF, no cálculo dos valores a serem pagos.
Durante a intervenção, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) podem ter sua liquidez temporariamente restrita, enquanto o interventor avalia a situação patrimonial do banco.
Os pagamentos aos clientes começam após o BC determinar a liquidação da instituição financeira.
Após o anúncio, o banco em liquidação deve enviar uma lista com os nomes dos credores e os valores a serem pagos, organizando os créditos por CPF ou CNPJ, para que o FGC processe os pagamentos. Este trâmite pode levar cerca de 30 dias úteis após o decreto do BC.
Após essa etapa, o FGC libera, em aproximadamente 48 horas, a solicitação no aplicativo para que os credores cadastrem sua conta bancária, validem a biometria e enviem os documentos necessários.
Após a assinatura do termo de sub-rogação pelo app, o pagamento é realizado na conta bancária cadastrada. O FGC promete agilidade, mas não estabelece um prazo exato para o pagamento.
Veja o passo a passo completo e entenda como obter ressarcimento via FGC.
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