Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno, controlado por ex-sócio de Daniel Vorcaro
Liquidação do Banco Pleno é decretada pelo Banco Central
A decisão foi tomada devido à deterioração financeira, descumprimento de normas e perda de liquidez. Com a liquidação do Banco Pleno e da Pleno DTVM, já são sete instituições vinculadas ao grupo Master que enfrentam essa medida; até o momento, a defesa não se manifestou.
A liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. foi anunciada nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026.
A ação foi motivada pela piora da situação econômico-financeira da instituição e pela falta de conformidade com as regulamentações do Banco Central.
Este conglomerado financeiro, de pequeno porte, representava apenas 0,04% dos ativos totais do sistema financeiro brasileiro.
O Banco Central continuará investigando as responsabilidades, com possibilidade de imposição de sanções e notificação a outras autoridades.
Até setembro do ano passado, o conglomerado detinha cerca de 0,04% dos ativos do setor, que totalizavam mais de R$ 18 trilhões — cerca de R$ 7,6 bilhões.
Em termos de captação, a participação era de 0,05% do total superando R$ 13 trilhões, equivalente a aproximadamente R$ 6,5 bilhões.
Os ativos incluem tudo que o banco possui ou tem a receber, enquanto as captações são os recursos recebidos de clientes e investidores.
A liquidação foi necessária devido às dificuldades do Banco Pleno em cumprir suas obrigações diárias, além do não cumprimento de normas do regulador.
Esse procedimento ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de uma instituição financeira que não possui condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha operações, vende bens e paga credores conforme a legislação, encerrando a existência do banco no sistema financeiro.
O BC ressaltou que seguirá apurando responsabilidades e que as investigações podem levar a sanções administrativas. Com a liquidação, os bens dos controladores e administradores ficam indisponíveis.
O g1 tentou contato com o Banco Pleno para esclarecimentos, mas não obteve resposta até a atualização da reportagem. A defesa da instituição também não se manifestou.
Situação dos correntistas do Banco Pleno
Não há informações disponíveis sobre o número de correntistas ou investidores de títulos do banco. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou que o montante de depósitos cobertos no Banco Pleno é de R$ 4,9 bilhões, com cerca de 160 mil clientes elegíveis para a garantia após a liquidação.
Os saldos dos correntistas e investidores estão protegidos pelo FGC até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. A cobertura varia conforme o tipo de aplicação.
Estão incluídos nas garantias do FGC:
- CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB)
- Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs)
O advogado José Eduardo Victória, sócio da MRV Advogados, foi designado como liquidante do Banco Pleno. Ele comunicou que, com a decretação do regime especial de liquidação extrajudicial, todas as operações da instituição foram encerradas, incluindo o funcionamento das agências e canais digitais.
Contexto da liquidação envolvendo o Banco Master
A crise no grupo Master, liderado por Daniel Vorcaro, resultou na intervenção do Banco Central em várias instituições nos últimos meses. Com a liquidação do Banco Pleno e da Pleno DTVM, já são sete as instituições ligadas ao conglomerado que enfrentam essa situação.
Em novembro do ano passado, o regulador começou a implementar medidas para desmantelar o grupo após identificar problemas de solvência, indícios de irregularidades contábeis e risco de contágio para outras instituições do sistema financeiro.
As primeiras liquidações ocorreram em novembro de 2025, afetando entidades chave do conglomerado, como o Banco Master S/A e a corretora associada.
Em janeiro, a intervenção se estendeu à CBSF DTVM, antiga Reag Investimentos, identificada pelo Banco Central como parte da estrutura destinada a ocultar prejuízos.
Poucos dias depois, em 21 de janeiro, o regulador decretou a liquidação do Will Bank, braço digital do grupo, após a falha na tentativa de venda e bloqueio das operações de cartões pela Mastercard.
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