Autoridades anunciam que está tudo bem, mas… o fogo e a fumaça não podem ser escondidos
Autoridades asseguram controle, mas a realidade é outra
Com o término das chuvas esporádicas que trouxeram um verão menos severo entre o fim do ano passado e janeiro deste ano, as autoridades foram forçadas a sair da zona de conforto para esclarecer à população sobre as queimadas descontroladas que atingem diversas áreas do Estado. Embora os focos de incêndio sejam menores em comparação a anos anteriores, a situação ainda é preocupante.
Após quase um mês sem chuvas, a seca se intensificou, principalmente em áreas de lavrados. Apesar de uma coletiva de imprensa onde as autoridades afirmaram que tudo está sob controle e que o Calendário de Queimadas foi suspenso, a realidade parece diferente.
Um exemplo claro é a Serra do Tepequém, um dos principais destinos turísticos de Roraima, onde os primeiros focos de incêndio começaram a aparecer recentemente. Embora um grupo de brigadistas tenha sido treinado para integrar o Grupamento de Combate a Incêndios Florestais (GCIF) em janeiro, ainda faltam equipamentos essenciais para o combate ao fogo.
Assim, mesmo com uma equipe preparada, a falta de segurança e de recursos impede que os brigadistas atuem efetivamente. A situação continua dependendo do Corpo de Bombeiros Militar ou da Defesa Civil Municipal de Amajari, que operam no limite, sem orçamento adequado.
Se essa é a realidade de um ponto turístico, o que se pode esperar de locais onde a mídia não chega? O tratamento da questão do fogo pelas autoridades em todos os níveis é preocupante, com a ausência de políticas efetivas para treinar, conscientizar, prevenir e punir os responsáveis por incêndios criminosos.
Quando a natureza não consegue se defender, como no fim de 2023 e início de 2024, quando a Serra do Tepequém sofreu com incêndios devastadores, a resposta das autoridades foi tardia ou, muitas vezes, inexistente. Quando finalmente chegaram para treinar, foi em cima da hora e sem as condições necessárias para os brigadistas.
O resultado é alarmante: moradores, brigadistas e turistas observam o fogo avançar, criando uma nova tragédia iminente. O mesmo cenário se repete em outros municípios, como nas proximidades da Capital, onde uma vasta área às margens do Rio Branco, no Município do Cantá, está sendo queimada para abrir espaço para plantio, sem qualquer intervenção das autoridades.
A temporada de chuvas está prevista para começar em abril, e com a chegada do El Niño, espera-se chuvas mais intensas. Se a situação continuar sendo tratada de maneira improvisada, é provável que o inverno em Roraima seja novamente marcado por tragédias decorrentes das fortes chuvas, resultando em cheias de rios e igarapés em todo o Estado.
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