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Atendimentos por Síndrome Respiratória Grave em crianças aumentam 70% em meio à fumaça em Boa Vista

Aumento de 70% nos atendimentos por Síndrome Respiratória em crianças em Boa Vista

O cenário em Boa Vista se agravou com a elevação dos focos de queimadas, resultando em um aumento de 70% nos atendimentos de crianças com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Hospital da Criança Santo Antônio (HCSA). Dados recentes mostram que, em fevereiro de 2026, o hospital registrou uma média de 650 internações pediátricas, com 53% desses casos relacionados a problemas respiratórios.

Crianças menores de 5 anos, especialmente os bebês, estão entre as mais vulneráveis. A Secretaria Municipal de Saúde revelou que, neste mesmo mês, as queixas respiratórias representaram 20% dos atendimentos, um aumento de 10% em relação ao ano anterior.

Em entrevista, a diretora do HCSA, Laudineia Barros, destacou que o aumento de casos é comum nesta época do ano, mas intensificou-se devido ao avanço das queimadas. A expectativa é que os atendimentos continuem em alta até abril, caso a situação se mantenha.

“Embora o período de chuvas já contribua para o aumento das doenças respiratórias, a quantidade de focos ativos intensifica a demanda hospitalar. Neste ano, o número de focos foi maior, refletindo diretamente nos atendimentos. O período mais crítico tradicionalmente ocorre entre fevereiro e abril. Se os focos aumentarem, os atendimentos também aumentarão”, afirmou Laudineia.

Os diagnósticos mais comuns incluem asma, rinite alérgica, bronquiolite e pneumonia. A diretora alertou os pais sobre sinais de alerta que exigem atenção imediata na unidade de saúde, como:

- Lábios ou pontas dos dedos arroxeados (cianose)

Casos mais leves, como tosse e febre baixa, podem ser avaliados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Em quadros graves, a internação pode ser necessária, e em alguns casos, o suporte em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), incluindo a intubação, é requerido quando há comprometimento severo da respiração. Pacientes com condições pré-existentes estão em maior risco, uma vez que a inalação de fumaça pode agravar crises asmáticas e tornar quadros leves em situações críticas.

“Os bebês ainda têm os pulmões em formação e podem agravar-se rapidamente. Por isso, é essencial evitar a exposição à fumaça e a locais com aglomerações, onde outros vírus respiratórios estão presentes”, alertou.

A Secretaria Municipal de Saúde reitera a importância de medidas preventivas para mitigar os impactos da fumaça na saúde infantil, como:

- Evitar atividades ao ar livre durante períodos de alta concentração de fumaça
- Manter portas e janelas fechadas nos horários críticos
- Garantir que as crianças estejam bem hidratadas
- Usar máscara ao se deslocar em áreas com alta concentração de fumaça

“É fundamental hidratar bem a criança, pois a fumaça resseca as vias aéreas. Os pais devem estar atentos aos sinais de alerta. Quando o quadro se agrava, a recuperação torna-se mais difícil. O ideal é prevenir”, finalizou a diretora.


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