Ataques isolam Dubai e deixam turistas presos no maior hub aéreo do Oriente Médio
Ataques isolam Dubai e turistas enfrentam dificuldades em hub aéreo do Oriente Médio
01/03/2026 12h24
Atualizado há 33 minutos
O que deveria ser um retiro corporativo de luxo em Dubai transformou-se em uma verdadeira missão para retornar para casa. Filip Sobiecki, funcionário de uma startup polonesa de inteligência artificial, viajou para os Emirados com um grupo de 18 pessoas, entre colegas e familiares, em busca de dias ensolarados, longe do rigor do inverno na Alemanha e na Polônia.
No entanto, a viagem de uma semana tomou um rumo inesperado com o lançamento de uma série de drones e mísseis pelo Irã, que atingiu alvos na região, resultando no fechamento do espaço aéreo e no cancelamento de numerosos voos.
Os ataques iranianos resultaram em mortes em Israel, nos Emirados Árabes e no Kuwait. Um míssil derrubou um prédio residencial em Beit Shemesh, causando a morte de oito pessoas; as ofensivas com drones e foguetes também deixaram estrangeiros mortos e mais de 100 feridos.
Os ataques aéreos do Irã abalaram a imagem de Dubai como um "refúgio seguro" em um cenário regional instável. Com o voo da LOT Polish Airlines cancelado, Sobiecki considerou fretar um jato particular, mas os preços haviam disparado em meio à corrida dos que tentavam deixar a cidade a qualquer custo.
Alternativas como viajar de iate até Mumbai, na Índia, e seguir em caminhões blindados até Omã foram cogitadas, mas não se concretizaram. Assim, Sobiecki se viu, como muitos outros, preso em uma cidade que sempre se destacou por ser um hub global ativo, mesmo durante a pandemia e a guerra na Ucrânia.
Agora, Dubai se transformou em uma "ilha", com voos suspensos e deslocamentos marítimos severamente limitados. Sobiecki, em seu hotel na região da Marina de Dubai, relatou ter ouvido explosões e sentido o prédio tremer, levando seu grupo a decidir não sair mais.
Esse episódio compromete a imagem de Dubai como um porto seguro em um Oriente Médio repleto de conflitos, um lugar de estabilidade e turismo em meio a incertezas políticas.
Com seu famoso skyline, shoppings luxuosos e resorts de alto padrão, Dubai recebeu quase 20 milhões de visitantes internacionais em 2025, segundo o Departamento de Economia e Turismo de Dubai. A média de mais de 50 mil chegadas diárias, com picos na alta temporada de inverno, demonstra a relevância do turismo para a economia dos Emirados Árabes Unidos.
O analista da Bloomberg Intelligence, Rami Abi-Samra, destaca que a economia dos Emirados é vulnerável a choques, como a tensão entre EUA e Irã, devido à significativa presença de turistas e expatriados. Em 2025, o turismo representou cerca de 13% do PIB do país.
O parque hoteleiro de Dubai, com 154.264 quartos em mais de 800 hotéis, é um reflexo do problema atual. Muitos turistas retidos são russos, com a Associação de Operadores Turísticos da Rússia estimando cerca de 50 mil russos nos Emirados, dos quais aproximadamente 20 mil não conseguem voltar para casa.
O governo dos Emirados anunciou que cobrirá os custos de hospedagem e alimentação dos viajantes afetados.
No Aeroporto de Dubai, que é um dos mais movimentados do mundo, o caos inicial deu lugar a um silêncio incomum. Após horas em filas, muitos passageiros deixaram os terminais e retornaram à cidade, enquanto os A380 superjumbo da Emirates permaneciam parados nas posições de embarque.
George Koshy, empresário de tecnologia, voltava de Mumbai com conexão em Dubai quando seu voo precisou mudar de rota e acabou retornando ao mesmo aeroporto. Ele elogiou o atendimento da Emirates, que hospedou passageiros em hotéis, mas ressaltou a incerteza no ambiente.
A retomada de Dubai como destino turístico e de negócios depende essencialmente de dois fatores: a duração dos ataques do Irã e o fechamento do espaço aéreo.
Ekaterina Zamyatova, dona de uma escola em Moscou, é uma das turistas retidas. Sua família, que deveria voltar para Moscou no domingo, teve seu voo cancelado. O hotel concordou em estender a estadia, mas a família precisou procurar nova acomodação.
Apesar da situação, Ekaterina afirmou que não pretende riscar Dubai do seu mapa: "Vamos voltar de qualquer jeito. Amamos Dubai, e essa situação não muda nossos planos, desde que a paz seja restaurada."
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