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Ataque ao Irã deve pressionar preço de combustíveis, dizem especialistas

Ataques no Oriente Médio podem elevar preços de combustíveis

Os recentes confrontos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã têm potencial para aumentar os preços dos combustíveis no Brasil e no mundo, conforme afirmam especialistas consultados. O conflito, que se intensificou neste domingo (), resultou na interrupção da navegação de petroleiras pelo Estreito de Ormuz.

O banco Barclays alertou neste sábado (28) que os mercados podem enfrentar "seus piores temores" se a logística do petróleo no Oriente Médio for ameaçada.

Além disso, a instituição revisou sua projeção para o preço do Brent para cerca de US$ 100 por barril, em comparação com US$ 80, devido ao risco de interrupções no fornecimento.

De acordo com o ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, o impacto deve ser sentido pelo consumidor, especialmente em relação ao diesel. Ele explicou que a alta nos preços internacionais eleva o custo de reposição, o que pode resultar em defasagens e pressionar os reajustes internos.

“Se o Brent subir e permanecer alto, o custo de reposição aumenta. Isso pode encarecer diesel, frete e alimentos, além de pressionar a inflação”, disse ao CNN Money.

A gerente de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), Karine Fragoso, indicou que o impacto dependerá da duração do conflito.

“Quanto mais tempo o mercado permanecer restrito, mais oferta sai e maiores serão os impactos. Isso tende a se refletir diretamente nos preços dos combustíveis”, afirmou.

Além disso, a interrupção do fluxo no Estreito de Ormuz já está afetando o comércio global, podendo provocar restrições de fornecimento não apenas de petróleo, mas também de seus derivados. O canal é a principal rota de exportação para países como Arábia Saudita, Kuwait, Iraque, Irã e Emirados Árabes Unidos.

O presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), Roberto Ardenghy, ressaltou que a região é responsável por mais de um quarto da produção global, aumentando o risco de impactos significativos. Para ele, qualquer restrição no fluxo pode resultar em alta rápida nos preços e repercussões nos combustíveis.

No Brasil, acredita-se que o país pode se beneficiar com exportações de petróleo a preços mais altos, mas o efeito para os consumidores tende a ser negativo. O diesel, essencial para transporte e logística, é visto como o principal canal de transmissão da crise para a economia, com potencial de elevar custos de frete, pressionar alimentos e aumentar a inflação.

Por outro lado, Ardenghy destacou que a duração do conflito será crucial para a intensidade dos impactos no país: "Caso não haja normalização em breve, poderá haver problemas de crescimento mundial e, portanto, menor demanda para os produtos exportados pelo Brasil, como café, açúcar, minério de ferro e proteína animal".


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