cnnbrasil Arábia Saudita manda petróleo para o Mar Vermelho; mas e os houthis?

Arábia Saudita manda petróleo para o Mar Vermelho; mas e os houthis?

A Arábia Saudita tem desviado suas exportações de petróleo dos portos no Golfo Pérsico para o Mar Vermelho para evitar ataques iranianos contra embarcações na saída pelo Estreito de Ormuz.

Mas o estreito que liga o Mar Vermelho às rotas marítimas rumo à Ásia - destino da maioria do petróleo que passava por Ormuz - também apresenta riscos aos sauditas.

Ataque em rodovia de Teerã deixa três trabalhadores humanitários feridos

Ataque com míssil deixa dezenas de feridos no norte de Israel

Ataque no Iraque deixa um soldado francês morto e vários feridos

O Estreito de Bab el-Mandeb fica entre o Chifre da África e o Iêmen, um país da Península Arábica que está em guerra civil desde 2014. Um dos lados beligerantes do conflito são os houthis.

Os houthis são um movimento que se opõe à influência saudita sobre outros países do Oriente Médio (especialmente na Península Arábica), à presença militar americana na região e ao Estado de Israel.

Tais defesas colocam os houthis ao mesmo lado do regime iraniano. Com o Irã, também guardam relações religiosas: o movimento iemenita vem do Norte do país, de população xiita - tal como é a maioria da população iraniana.

Entre 2023 e 2025, os houthis fizeram uma série de ataques contra embarcações sob alegação de vínculos com Israel, para pressionar contra o cerco israelense sobre o território palestino da Faixa de Gaza a partir do 7 de Outubro de 2023.

Estes ataques começaram a diminuir em 2024, após uma coligação liderada pelos EUA começar a patrulhar a região, interceptando drones e mísseis e também atacando instalações houthis.

No final de 2025, os incidentes praticamente cessaram, em meio às negociações mediadas pelos Estados Unidos para um cessar-fogo entre o grupo radical palestino Hamas e o Estado de Israel em Gaza.

Os houthis, porém, nunca anunciaram uma paralisação, suspensão ou diminuição dos ataques.

Nesta quinta-feira, em seu primeiro pronunciamento como líder supremo do Irã, Mojtaba Khamanei agradeceu o apoio que Teerã tem recebido de grupos aliados no Oriente Médio desde o início da guerra contra a ofensiva de Estados Unidos e Israel.

Mojtaba se referia ao libanês Hezbollah (que tem promovido ataques com foguetes sobre Israel) e a milícias aliadas no Iraque (que tem atacado alvos ligados aos EUA no próprio país).

O novo líder supremo também disse que os ataques sobre bases militares americanas em países árabes deve continuar, assim como o Estreito de Ormuz deve seguir bloqueado, como uma forma de pressionar os preços do mercado global de petróleo (cerca de 20% da oferta mundial passa por este ponto de estrangulamento) e impulsionar estados do Golfo a convencer seus aliados em Washington a pararem com os ataques coordenados com Israel.

Mojtaba também sugeriu que novos fronts podem ser abertos no conflito atualmente em curso.

"A abertura de outras frentes onde o inimigo é altamente vulnerável, caso a guerra continue, será considerada, levando-se em conta os interesses estratégicos", acrescentou, em mensagem lida pela TV estatal iraniana.

Em 1º de março, o líder do movimento houthi, Abdul Malik, lamentou a morte do pai de Mojtaba, o ex-líder supremo Ali Khamenei, ocorridas nas primeiras horas de ataques de EUA e Israel, no dia anterior.

"O objetivo deles (EUA e Israel) era permitir que o inimigo israelense dominasse a região e remover o maior obstáculo para alcançar esse objetivo: a República Islâmica, com seu sistema islâmico, sua postura jihadista, revolucionária e voltada para a libertação, que rejeita a hegemonia sionista e apoia a causa palestina e os povos da região", declarou, em pronunciamento em vídeo.

Um dia antes, Malik já havia colocado o movimento de prontidão para "quaisquer desdobramentos". E disse que mobilizaria manifestações públicas pelas ruas do país.

Nos últimos meses, empresas do comércio marítimo global que ainda evitavam o Canal de Suez (que liga o Mar Vermelho ao Mar Mediterrâneo e, consequentemente, ao mercado europeu) vinham ensaiar um retorno para a rota.


← Voltar para as notícias