Apuração INSS

Apuração da PF sobre Lulinha reaquece CPMI do INSS

Pedido da PF sobre Lulinha dá novo impulso à CPMI do INSS

Atualizado em 08/01/2026 às 12:38

Após a conclusão dos trabalhos em 2025, a CPMI do INSS está prestes a receber um novo impulso político em 2026. Isso se deve à decisão da Polícia Federal (PF) de investigar a relação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o lobista Antônio Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, um dos principais alvos no esquema de fraude contra aposentados.

O relator da comissão, Alfredo Gaspar (União-AL), destaca que os eventos recentes reforçam a responsabilidade do Congresso em aprofundar as investigações sobre os descontos ilegais em aposentadorias e pensões.

A nova investigação não se concentra na autoria das fraudes, mas na suspeita de que Lulinha possa ter mantido relações empresariais com Antunes e a empresária Roberta Luchsinger. Embora Lulinha não seja investigado diretamente pelas irregularidades, a PF busca esclarecer se ele atuou como “sócio oculto” em negócios relacionados ao grupo sob investigação.

Gaspar enfatizou a gravidade da situação, afirmando que "o filho do presidente mantém relacionamento com o maior operador do roubo dos aposentados e pensionistas do Brasil."

A reportagem tentou contato com a Polícia Federal e o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representava Lulinha, mas não obteve resposta. Carvalho afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que seu cliente “nunca teve relação direta ou indireta com o INSS” e classificou as menções como “ilações”.

CPMI do INSS inicia 2026 focando Lulinha e senador da base governista

A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em dezembro passado, trouxe à tona personagens que a CPMI tentou ouvir, mas foi impedida por manobras da base governista.

A inclusão do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo, entre os alvos da investigação no dia 18 de dezembro, complicou ainda mais a situação para o Palácio do Planalto, reforçando as acusações de blindagem institucional levantadas por Gaspar.

Durante o último ano, a CPMI enfrentou desafios como habeas corpus do STF e outras manobras que dificultaram o avanço das apurações, especialmente quando as investigações se aproximaram de figuras ligadas ao presidente.

Gaspar acredita que, apesar das derrotas, a CPMI conseguiu mapear os vínculos entre os operadores e rastrear o fluxo financeiro do esquema.

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, afirmou que a comissão tornará público todos os caminhos da investigação. Ele criticou a concessão de habeas corpus a depoentes estratégicos, permitindo que investigados comparecessem sem a obrigação de responder perguntas.

A CPMI já analisou quase 5 mil documentos, aprovou 73 requerimentos de informação e 48 quebras de sigilo, identificando mais de 100 empresas suspeitas e movimentações financeiras superiores a R$ 1,2 bilhão. Gaspar estima que os descontos indevidos possam ter chegado a R$ 10 bilhões.

Avanços e desafios no combate às fraudes

Os membros da CPMI destacam a descoberta de um sistema fraudulento que desviava recursos de aposentadorias. As quebras de sigilo permitiram visualizar o fluxo financeiro do início ao fim.

Entre os casos mais emblemáticos, um ex-coordenador do INSS foi preso em flagrante após contradições sobre sua atuação. A operação também resultou em diversas prisões, incluindo a de Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS.

A atuação da “tropa de choque” do governo Lula na CPMI, que inclui figuras como Paulo Pimenta (PT-RS) e Omar Aziz (PSD-AM), foi crucial para barrar a convocação de aliados.

Os governistas argumentam que suas manobras visam manter o foco nas gestões anteriores, especialmente a de Jair Bolsonaro, enquanto tentam desviar a atenção das fraudes atuais.

Próximos passos da CPMI

Com o fim da primeira fase, a CPMI já reconhece que o trabalho mais significativo ficará para 2026. Viana anunciou que a próxima etapa se concentrará no sistema financeiro, onde as operações de empréstimos consignados somam quase R$ 500 bilhões nos últimos cinco anos.

Diante da necessidade de novas quebras de sigilo e da convocação de dirigentes financeiros, a CPMI decidiu solicitar uma prorrogação de 60 dias para concluir suas investigações.

A CPMI inicia 2026 com o desafio de desvendar a participação das instituições financeiras no esquema que começou com associações e agora envolve um complexo sistema bancário.

O professor de Ciência Política Nauê Bernardo Azevedo, do Ibmec Brasília, analisa que a CPMI perdeu espaço na mídia devido ao contexto político, mas reconhece seu papel na revelação de aspectos importantes do esquema fraudulento, o que pode impactar diretamente o campo político.


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