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Após criticar fim da escala 6×1, líder do Republicanos recua e pede desculpas

Líder do Republicanos pede desculpas após críticas à jornada 6×1

03/03/2026 12h51

O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, deputado federal de São Paulo, publicou um vídeo na segunda-feira (2) pedindo desculpas por suas declarações sobre a PEC que propõe o fim da jornada de trabalho 6×1.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Pereira argumentou que a redução da jornada poderia prejudicar a competitividade das empresas brasileiras. Ele questionou ainda se o tempo livre adicional seria utilizado de maneira positiva pela sociedade.

Durante a conversa, o deputado mencionou que “ócio demais faz mal” e expressou preocupações de que um dia a mais de descanso poderia expor os trabalhadores a riscos como drogas e jogos de azar. Pereira destacou que, segundo sua visão, os mais pobres têm acesso limitado ao lazer, o que poderia facilitar hábitos prejudiciais.

Em seu vídeo, Pereira revisou suas palavras sobre o assunto, considerando-as inadequadas. “Confesso aqui. Reconheço que minhas frases soaram desrespeitosas aos trabalhadores brasileiros. Meu ponto era falar sobre o impacto econômico”, afirmou, sem se referir diretamente à sua suposição sobre drogas e jogos de azar. “Todo trabalhador merece descanso, respeito e tempo com a família”, finalizou.

O presidente do Republicanos também mencionou sua experiência como ministro da Indústria e Comércio durante o governo de Michel Temer e ressaltou o receio de que a aprovação da medida causasse reações econômicas adversas. Ele observou que a maioria da economia brasileira é composta por microempresas, que seriam severamente afetadas por uma mudança na carga laboral.

Na entrevista à Folha, Pereira expressou sua discordância em relação à votação da proposta em um ano eleitoral, considerando o tema “muito sensível”. Ele alertou que essa situação poderia levar parlamentares a aprovar a medida sob pressão popular: “Às vezes até tem que votar [a favor] por conta de ser um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar contra, por exemplo. Estou preocupado”, disse.

Além disso, Pereira comentou que a CLT, embora tenha seus méritos, apresenta muitos problemas em comparação com legislações de países com pleno emprego e economias mais robustas. Para ele, não é possível comparar o custo trabalhista, burocrático e tributário do Brasil com países envolvidos no acordo econômico Mercosul-UE.

Por último, defendeu que, apesar de a demanda pela redução da jornada ser legítima, essa medida obteve êxito apenas em países que ele classificou como de “primeiro mundo”, com PIB per capita “altíssimo”, como Alemanha, Finlândia, Islândia e Noruega.


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