cnnbrasil

Após confusão em CPMI, governistas aguardam resposta de Alcolumbre

Confusão na CPMI gera apelo de governistas a Alcolumbre

Após uma situação conturbada na CPMI do INSS, deputados da base aliada ao governo recorreram ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), na tentativa de anular uma votação recente.

Os parlamentares aliados ao governo Lula (PT) buscam reverter a aprovação de requerimentos, incluindo a quebra dos sigilos de Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente. A justificativa é que o presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG), teria manipulado a votação.

O requerimento que solicita a quebra de sigilo de Lulinha foi apresentado pelo relator da comissão, Alfredo Gaspar (União-AL), que argumenta que a medida é necessária devido a suspeitas de que o filho do presidente atuou como "sócio oculto" de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”.

Governistas contestam a votação

Após a confusão, Viana afirmou que as "imagens são muito claras", enquanto os governistas apresentaram evidências que contradizem o resultado da votação.

O presidente da CPMI anunciou a votação “em bloco” de mais de 80 requerimentos, mencionando apenas sete votos contrários. No entanto, a contagem foi feita com base na posição dos parlamentares: quem se levantou estava contra, e quem permaneceu sentado, a favor.

Apesar de Viana ter declarado que apenas sete parlamentares votaram contra, os governistas mostraram imagens com 14 deputados de pé, argumentando que isso representaria a maioria dos 21 titulares presentes.

Viana rebateu, afirmando que, mesmo com 14 votos contrários, o governo teria perdido, pois o quórum da sessão era de 31 presentes. Os governistas, por sua vez, defenderam que o painel incluía titulares e suplentes.

Ao encerrar a reunião, Viana garantiu que estava seguindo o regimento e que a base governista tentava evitar a aprovação dos requerimentos ao votar tudo em bloco.

Apelo ao Conselho de Ética

No recurso dirigido a Alcolumbre, os deputados e senadores alegaram que a conduta de Viana caracterizou uma “manobra regimental” sem respaldo normativo, prejudicando o devido processo legislativo.

Na petição, os governistas afirmaram que 14 parlamentares se opuseram aos requerimentos, de acordo com as imagens veiculadas pela TV Senado, enquanto apenas sete se mostraram favoráveis.

O documento enfatiza que o resultado real da votação foi de quatorze votos contrários e sete favoráveis, desconsiderando a contagem feita na hora da proclamação.

Os governistas argumentaram que o número de 31 parlamentares incluía suplentes e que, em votações simbólicas, o resultado deve ser proclamado pela visualização dos votos, não por registro eletrônico.

A petição solicita que o caso seja enviado ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado para investigar uma possível quebra de decoro por parte de Viana.

Oitiva marcada pela ausência

Além da votação, a reunião da CPMI também ouviu o empresário Paulo Camisotti, que se destacou pela ausência de governistas e pelo silêncio do depoente. Seu filho, Maurício Camisotti, optou por não responder perguntas baseadas em um habeas corpus do STF.

Camisotti é investigado como um dos responsáveis pelos descontos irregulares em aposentadorias do INSS. Durante o depoimento, houve momentos tensos, já que ele se negou a responder perguntas de conhecimento público. A oposição chegou a pedir sua prisão, mas Viana não acatou o pedido.


← Voltar para as notícias