Rybelsus

Anvisa proíbe manipulação de Ozempic, Wegovy e Rybelsus: especialistas alertam para riscos

Anvisa proíbe manipulação de medicamentos com semaglutida

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou, no dia 25, a proibição da manipulação de fármacos que contenham semaglutida, ativo presente em produtos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, utilizados no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2.

A decisão foi tomada devido ao alto risco sanitário e à falta de evidências sobre a eficácia e segurança das versões manipuladas.

A semaglutida é um medicamento biotecnológico complexo, elaborado a partir de processos que utilizam células vivas, garantindo a estabilidade e segurança das moléculas. A agência destaca que, ao serem manipulados, esses medicamentos não têm garantia de pureza, dosagem correta, estabilidade ou esterilidade, o que pode levar a falhas terapêuticas, contaminações e efeitos adversos graves.

“A semaglutida revolucionou o tratamento da obesidade e diabetes no Brasil. Além de auxiliar no emagrecimento, traz benefícios cardiovasculares, renais e hepáticos, além de potenciais efeitos protetores contra demência, ainda em estudo. A única semaglutida aprovada é a da Novo Nordisk, nos nomes comerciais Ozempic, Wegovy e Rybelsus. As versões manipuladas não são comprovadas e colocam os pacientes em risco”, alerta a endocrinologista Dra. Tassiane Alvarenga, especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Os riscos estão especialmente relacionados ao fígado, que metaboliza os medicamentos. “A manipulação compromete a pureza e a dosagem correta, podendo resultar em intoxicação, hepatite medicamentosa, elevação de enzimas hepáticas e até insuficiência hepática. Além disso, existe um risco maior de pancreatite, hipoglicemia e reações adversas graves”, explica a hepatologista Dra. Patrícia Almeida, doutora pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

A médica destaca que a decisão da Anvisa é essencial para proteger a saúde dos pacientes. “Esses são medicamentos biológicos, não moléculas simples que podem ser replicadas. A medida evita complicações graves e protege a vida dos pacientes”, complementa a Dra. Patrícia.

Apesar da crescente popularidade dos chamados “emagrecedores”, o uso irregular desses medicamentos gera preocupação na comunidade médica. Relatórios indicam que farmácias de manipulação ofereceram versões em massa, frequentemente sem controle de qualidade. A Anvisa reitera que apenas as versões aprovadas pelas farmacêuticas detentoras das patentes, como a Novo Nordisk (Ozempic, Wegovy e Rybelsus), são seguras e autorizadas no Brasil.


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