Anthropic: Trump quer empresa fora do governo e a coloca em lista negra
Trump ordena saída da Anthropic do governo dos EUA
Nesta sexta-feira (27), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que todas as instituições federais devem interromper imediatamente o uso da tecnologia da Anthropic.
Essa decisão surge em meio a uma disputa entre o Pentágono e a empresa de Dario Amodei sobre a aplicação da inteligência artificial (IA) em contextos militares, justo uma hora antes do prazo estabelecido pelo governo para que a Anthropic aceitasse condições para o uso de sua tecnologia em operações militares.
Trump afirmou que a maioria das agências federais precisa cessar o uso da tecnologia imediatamente, enquanto o Pentágono terá um período de seis meses para essa transição, visto que a IA da empresa está integrada em plataformas militares.
Em sua rede social, Truth Social, o presidente afirmou: “não precisamos, não queremos e não faremos mais negócios com eles!”
Após o anúncio, o secretário de Defesa, Peter Hegseth, declarou no X que ordenou ao Pentágono que classificasse a Anthropic como um risco à segurança nacional em sua cadeia de suprimentos.
A posição da Anthropic
A Anthropic mantém sua posição firme em não flexibilizar suas regras, afirmando que não permitirá a utilização de sua tecnologia em armas totalmente autônomas ou em vigilância em massa.
Relatos da Associated Press e do The Wall Street Journal indicam que o governo havia dado um prazo até esta sexta-feira (27) para que a empresa aceitasse os termos propostos. Caso contrário, Hegseth ameaçou classificar a Anthropic como um “risco da cadeia de suprimentos”, o que poderia inviabilizar contratos governamentais, ou acionar a Lei de Produção de Defesa (DPA), que concede poderes emergenciais ao presidente para intervir na economia em questões de segurança nacional.
Como a Anthropic não cedeu, Hegseth cumpriu sua promessa. Ele afirmou que a posição da empresa é “fundamentalmente incompatível com os princípios americanos”, resultando em uma alteração permanente na relação da Anthropic com as Forças Armadas e o Governo Federal.
Hegseth também informou que a Anthropic continuará a prestar serviços ao Departamento de Guerra por um período máximo de seis meses, para garantir uma transição tranquila.
Declaração de Dario Amodei
Em um comunicado na quinta-feira (26), Dario Amodei expressou que a Anthropic “não pode, em sã consciência”, permitir o uso de seus modelos pelo Departamento de Defesa sem limitações. Ele destacou que as ameaças do Pentágono “não mudam nosso posicionamento”.
Amodei ressaltou que a prerrogativa do Departamento é escolher contratantes alinhados com sua visão, mas expressou a esperança de que o governo reconsiderasse, dada a importância da tecnologia da Anthropic para as forças armadas.
Ele enfatizou que a empresa não pode flexibilizar restrições contra o uso de sua tecnologia em armamentos autônomos ou vigilância em massa, citando que certos usos podem minar valores democráticos.
Conflito com o Pentágono
O Pentágono ameaçou classificar a Anthropic como um risco à cadeia de suprimentos, o que inviabilizaria contratos governamentais. O conflito se intensificou quando Emil Michael, do Pentágono, atacou diretamente Amodei nas redes sociais, acusando-o de colocar a segurança nacional em risco.
Enquanto isso, senadores democratas, como Mark Warner, defenderam a empresa, reconhecendo as preocupações da Anthropic sobre vigilância e drones autônomos.
O Pentágono exigiu que todos os seus contratados sigam um padrão que permita o uso da tecnologia para “todos os fins lícitos”, adotando um tom combativo em relação a empresas de tecnologia.
Uma carta assinada por quase 50 funcionários da OpenAI e 175 do Google criticou as táticas de negociação do Pentágono, pedindo unidade entre as empresas para resistir às exigências do Departamento de Guerra.
O Pentágono afirmou que não tem interesse em usar o modelo Claude for Government da Anthropic para vigilância doméstica ou drones autônomos, embora a linguagem do contrato levante dúvidas sobre essas alegações.
Futuro da colaboração
O Pentágono está considerando avançar com a IA da xAI, de Elon Musk, embora autoridades atuais e ex-integrantes do governo a considerem inferior. A troca de software de IA pode causar interrupções significativas nas operações.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e atualmente atua como redator no Olhar Digital.
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