gizbr Anthropic processa o Pentágono e leva disputa sobre IA militar aos tribunais

Anthropic processa o Pentágono e leva disputa sobre IA militar aos tribunais

Anthropic Processa o Pentágono e leva disputa sobre IA militar aos tribunais

A empresa de inteligência artificial Anthropic processou o Pentágono, a administração militar dos Estados Unidos, por designar a empresa como risco à segurança nacional. A decisão foi tomada após meses de negociações entre as duas partes, que incluíram acordos comerciais e tecnológicos.

A empresa alega que as medidas tomadas pelo governo são inconstitucionais e violam direitos de liberdade de expressão e devido processo legal. A designação ocorreu após a Anthropic recusar-se a remover proteções contra o uso de sua IA para armas autônomas ou vigilância doméstica.

Processos contestam designações do governo

O primeiro processo foi apresentado em tribunal federal na Califórnia. A ação questiona a inclusão da empresa na lista de risco do Pentágono. A Anthropic solicita que um juiz reverta a designação e bloqueie agências federais de aplicá-la.

O segundo processo foi protocolado na Corte de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia. A ação contesta uma designação mais ampla da companhia como risco à cadeia de suprimentos sob outra legislação. Essa medida poderia resultar em bloqueio em todo o governo civil.

A designação de Anthropic foi aplicada no quinto-feira, limitando o uso de tecnologia que, segundo duas fontes, estava sendo utilizada para operações militares no Irã. A medida foi tomada após meses de negociações entre a Anthropic e o Pentágono sobre as políticas de uso da tecnologia da empresa.

Disputa sobre políticas de uso da tecnologia

A designação ocorreu após meses de negociações entre a Anthropic e o Pentágono sobre as políticas de uso da tecnologia da empresa. A empresa manteve limites ao uso de sua tecnologia e recusou-se a permitir armas totalmente autônomas e vigilância doméstica de americanos.

Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirmou que não é contrário a armas movidas por IA. O executivo afirmou que acredita que a geração atual de tecnologia de IA não é boa o suficiente para ser precisa.

Cronologia das ações governamentais

O Pentágono declarou em 27 de fevereiro que designaria a Anthropic como risco à cadeia de suprimentos. A notificação oficial à empresa ocorreu em 3 de março. As negociações entre as duas partes vinham ocorrendo há meses antes da designação formal.

Donald Trump ordenou em publicação nas redes sociais que todo o governo parasse de usar o Claude, o sistema de IA da Anthropic. Na quinta-feira, Amodei reiterou que a empresa contestaria a designação judicialmente.

A Axios reportou na segunda-feira que a Casa Branca está preparando uma ordem executiva instruindo formalmente o governo federal a remover a IA da Anthropic de suas operações.

Impactos financeiros da designação

Executivos da Anthropic afirmaram em documentos judiciais que a inclusão na lista de restrição pelo governo dos Estados Unidos poderia reduzir a receita da empresa em 2026 em múltiplos bilhões de dólares.

Paul Smith, diretor comercial, declarou que um parceiro com contrato anual multimilionário trocou o Claude por um modelo rival de IA generativa. A mudança eliminou um pipeline de receita antecipada de mais de US$ 100 milhões. Negociações com instituições financeiras no valor combinado de aproximadamente US$ 180 milhões..

O Departamento de Defesa assinou acordos no valor de até US$ 200 milhões cada com os principais laboratórios de IA no ano passado. Os acordos incluíram Anthropic, OpenAI e Google.

Apoio de pesquisadores e engenheiros

Um grupo de 37 pesquisadores e engenheiros da OpenAI e do Google apresentou documento amicus curiae em apoio à Anthropic na segunda-feira. Aliás, o grupo inclui Jeff Dean, cientista-chefe do Google.

Os profissionais argumentaram que o episódio poderia desencorajar especialistas em IA de debater abertamente os riscos e benefícios da inteligência artificial. “Ao silenciar um laboratório, o governo reduz o potencial da indústria de inovar soluções”, disseram os funcionários. Eles falaram em capacidade pessoal e não em nome de seus empregadores.

A Anthropic declarou em sua ação judicial que “estas ações são sem precedentes e ilegais. A Constituição não permite que o governo exerça seu enorme poder para punir uma empresa por seu discurso protegido”.

A companhia declarou que a designação seria juridicamente insustentável e estabeleceria um precedente perigoso para empresas que negociam com o governo. A empresa disse que não seria influenciada por “intimidação ou punição”.

A Anthropic afirmou que mesmo os melhores modelos de IA não são confiáveis o suficiente para armas totalmente autônomas. A empresa afirmou que usá-los para esse propósito seria perigoso.


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