Anderson Torres – Wikipédia, a enciclopédia livre
Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco
Anderson Gustavo Torres, nascido em Brasília no dia 25 de setembro de 1976, é um ex-delegado de polícia e ex-político brasileiro, filiado ao União Brasil (UNIÃO). Atuou como ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil de 30 de março de 2021 a 1 de janeiro de 2023, durante o governo de Jair Bolsonaro. Antes disso, foi secretário de Segurança Pública do Distrito Federal entre 2019 e 2021, e brevemente em 2023.
Foi exonerado do cargo de secretário por suspeitas de conivência com os atos violentos e antidemocráticos que resultaram na invasão e depredação das sedes dos três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Em consequência, sua prisão preventiva foi decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 10 de janeiro de 2023, sendo preso no dia 14 de janeiro e liberado com monitoração eletrônica em 14 de maio do mesmo ano.
Em fevereiro de 2025, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República, junto a outros ex-integrantes do governo Bolsonaro, por suposto envolvimento no planejamento de um golpe de Estado após as eleições de 2022. O plano incluía a intervenção na justiça eleitoral, a dissolução do STF e do Congresso Nacional, além da formação de uma comissão interventora composta por militares e civis.
Em 11 de setembro de 2025, foi condenado a 24 anos de prisão em regime inicial fechado por crimes relacionados à organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros. O cumprimento da pena teve início em 26 de novembro.
Torres possui formação em direito pelo Centro Universitário de Brasília (CEUB) e especialização em Ciência Policial, Investigação Criminal e Inteligência Estratégica pela Escola Superior de Guerra (ESG). Foi professor em diversas academias de polícia e atuou como papiloscopista da Polícia Civil do Distrito Federal e delegado da Polícia Federal desde 2003.
De 2019 a 2021, ocupou o cargo de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, nomeado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). Em 29 de março de 2021, foi indicado por Jair Bolsonaro para o cargo de ministro da Justiça, sendo nomeado e tomando posse no dia seguinte.
Em abril de 2021, filiou-se ao Partido Social Liberal (PSL) e foi designado presidente do diretório do partido no Distrito Federal. Após a fusão do PSL com o Democratas (DEM), tornou-se membro do União Brasil.
No dia 8 de janeiro de 2023, militantes bolsonaristas invadiram a Praça dos Três Poderes e depredaram diversas instituições, enquanto Torres estava nos Estados Unidos. Ele condenou os ataques em suas redes sociais, mas foi exonerado no mesmo dia pelo governador Ibaneis Rocha devido à pressão política gerada por sua ausência.
Após a invasão, o STF determinou a prisão de Torres, que retornou ao Brasil e foi detido. Sua liberdade provisória foi concedida em 11 de maio de 2023, com restrições significativas.
Durante a busca em sua residência, uma minuta de documento que previa a instauração de um estado de defesa na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi encontrada. Torres alegou que o documento não era de sua autoria.
Em 18 de setembro de 2023, a Polícia Federal encontrou conteúdos considerados golpistas em seu celular, incluindo convocações para intervenções e notícias falsas sobre as eleições de 2022.
Em 16 de agosto de 2024, Torres e outros foram indiciados por impedir o deslocamento de eleitores de Lula durante as eleições de 2022. Em 21 de novembro de 2024, foi indiciado por sua participação na tentativa de golpe de Estado.
No dia 10 de junho de 2025, durante depoimento ao STF, negou ter encontrado fraudes nas urnas e afirmou que informou ao ex-presidente sobre sua análise. Em 11 de setembro de 2025, foi condenado a 24 anos de prisão, além de multa de R$ 151.800.
A condenação resultou em sua demissão do cargo de delegado federal em 3 de dezembro de 2025.
Em 24 de fevereiro de 2023, sua casa foi alvo de uma ação do Ibama, que apreendeu mais de 60 aves silvestres, resultando em uma multa de R$ 54 mil. Em uma segunda ação, foram apreendidas mais 55 aves. Torres foi considerado culpado, mas conseguiu reverter a decisão em abril de 2025, embora o Ibama tenha sido condenado por litigância de má-fé em agosto de 2025.
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