Análise: sob ataque do Irã, países do Golfo pagam preço da aliança com EUA
Análise: Ataques do Irã e o Preço da Aliança com os EUA
Frank Gardner, Repórter de Segurança, BBC News
Em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, o céu azul revela rastros brancos que não são de aviões civis. Esses sinais são, na verdade, mísseis balísticos lançados pelo Irã, o vizinho imponente do Golfo.
No último domingo, o Ministério da Defesa dos EAU informou que já havia interceptado 165 mísseis balísticos, além de drones iranianos. Enquanto isso, no Bahrein, relatos de explosões no aeroporto local alarmaram os moradores, que relataram cerca de 20 explosões e impactos diretos.
Esses eventos são excepcionais na região, mas desde o início do conflito em fevereiro, o Irã ampliou seus alvos, atacando não apenas instalações militares, mas também aeroportos e áreas civis, como hotéis e shopping centers, à medida que suas defesas são desafiadas.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Aragchi, negou os ataques aos países vizinhos, afirmando que o foco é a presença dos Estados Unidos na região. Ele sugeriu que as reclamações deveriam ser direcionadas aos responsáveis pela guerra.
Parte dos danos à infraestrutura civil nos países do Golfo é causada por detritos de mísseis interceptados, mas os ataques a aeroportos indicam uma estratégia mais abrangente. O Irã sempre deixou claro que retaliaria qualquer nação que considerasse cúmplice de um ataque.
Os países do Golfo tentaram convencer o Irã de que não estavam envolvidos no ataque americano-israelense, mas, na prática, estão pagando o preço por sua aliança de longa data com Washington.
Historicamente, o Irã, antes da Revolução Islâmica de 1979, era visto como a "polícia do Golfo". Desde então, tem buscado retomar esse papel, mas os Estados árabes do Golfo, temendo o fervor revolucionário iraniano, resistem a essa proposta.
As relações entre os países do Golfo e o Irã estão cada vez mais tensas, especialmente após os recentes ataques. Omã, que mantém boas relações com o Irã, também foi alvo de um ataque com drones em seu porto comercial. Já a Arábia Saudita condenou os ataques em sua capital, Riad.
Em 2019, o Irã já havia atacado instalações da Saudi Aramco, mas nunca antes nessa escala. A situação atual é alarmante, especialmente para o Bahrein, que tem uma população xiita e frequentemente acusa o Irã de apoiar insurgentes locais.
Enquanto isso, o presidente americano, Donald Trump, e seus aliados desejam a queda do regime iraniano, mas a incerteza persiste. Os Estados Unidos e Israel estão focados em neutralizar a capacidade do Irã de lançar mísseis, enquanto o regime enfrenta seu dilema: intensificar os ataques ou preservar seu arsenal.
O equilíbrio de poder favorece claramente os EUA e Israel, com suas forças armadas altamente avançadas, enquanto o Irã, sob sanções, não possui uma força aérea comparável.
Embora o regime iraniano esteja debilitado, ele pode suportar um sofrimento maior do que seus adversários. O prolongamento do conflito pode levar a uma crescente pressão sobre Trump para encontrar uma solução.
As negociações entre os Estados Unidos e o Irã são incertas. Se o regime sobreviver, as exigências de Washington sobre o programa nuclear, os mísseis balísticos e o apoio a milícias podem voltar à tona. Recentemente, Omã anunciou avanços nas conversas nucleares, mas o Irã descartou discutir os outros tópicos.
Com as posições firmes de ambas as partes, a possibilidade de novas ações militares aumenta. O conflito ainda está longe de ser resolvido.
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