Análise: Irã estava longe de alcançar arma nuclear e os EUA sabiam
Análise da Situação Nuclear do Irã
A Agência de Energia Nuclear da ONU declarou recentemente que o Irã está longe de conseguir desenvolver armas nucleares, o que contraria uma das principais justificativas usadas pelos Estados Unidos e Israel para justificar ataques ao país.
De acordo com o analista de relações internacionais Lourival Sant'anna, durante o programa CNN Prime Time, a inteligência militar americana já estava ciente dessa realidade. "Todos sabemos que o Irã está muito longe de uma bomba nuclear. A inteligência militar americana afirma que o Irã está a cerca de 10 anos de conseguir uma bomba nuclear", destacou o especialista.
Sant'anna explicou que o desenvolvimento de armas nucleares exige tecnologia altamente sofisticada, muito além do simples enriquecimento de urânio. "Produzir uma bomba nuclear não é uma tarefa simples. Além do urânio enriquecido a mais de 90% — e o Irã atualmente só possui até 60% — é necessário ter um gatilho sofisticado, miniaturização da ogiva e um foguete capaz de transportar esse combustível nuclear", detalhou.
Limitações nas Opções de Trump
As opções do ex-presidente Donald Trump em relação ao Irã são limitadas, mesmo com o reforço militar.
As negociações entre o Irã e os EUA focam no enriquecimento de urânio, enquanto a ONU pede diplomacia entre as nações em meio ao aumento das tensões.
Motivações Políticas por Trás dos Ataques
Para o analista, as razões para os ataques ao Irã são principalmente políticas, ligadas ao calendário eleitoral nos Estados Unidos e em Israel. "A motivação é claramente política. Toda guerra é uma guerra de política interna", observou Sant'anna.
O especialista destacou que ambos os países têm eleições marcadas para breve. "Israel vota no dia 26 de outubro, e as chances de Netanyahu vencer eram pequenas naquela época", explicou. Ele também mencionou que "Trump enfrenta baixa popularidade, com eleições de meio de mandato no dia 4 de novembro, que renovam toda a Câmara e um terço do Senado".
Operação com Forças Curdas
Informações veiculadas pela CNN Internacional indicam que a CIA estaria armando forças curdas para incitar uma revolta popular no Irã. Sant'anna confirmou que os curdos representam cerca de 10% da população iraniana e têm sido historicamente usados para desestabilizar regimes na região.
"O próprio Trump conversou recentemente com Mustafa Hijri, líder do Partido Democrático do Kurdistão iraniano, e com líderes curdos no Iraque", relatou o analista. Segundo ele, guerrilheiros estão sendo treinados e armados na fronteira iraquiana com o Irã, com o intuito de realizar incursões no oeste iraniano para desestabilizar o regime.
"Os Estados Unidos têm apoiado curdos e árabes liberais e democráticos contra o regime de Bashar al-Assad na Síria", lembrou Sant'anna, ressaltando que essa aliança entre americanos e curdos já perdura por décadas. O analista concluiu que isso poderia se tornar "a semente da guerra civil" no Irã.
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