Análise: Aparato repressivo do regime iraniano está intacto
Análise do Aparato Repressivo do Regime Iraniano
Uma pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos, divulgada neste domingo (1º), indicou que apenas um em cada quatro americanos apoia os ataques dos Estados Unidos que resultaram na morte de um líder iraniano. Essa informação evidencia a baixa aceitação da operação militar entre a população dos EUA. A análise é de Lourivana Sant'Anna, ao Agora CNN.
"O aparato repressivo do regime permanece intacto. Ele é composto por diversas camadas: há o corpo da Guarda Revolucionária Iraniana, os Basij, que atuam como polícia moral, responsáveis pela perseguição às mulheres e pela manutenção da disciplina da população, além das forças armadas e da polícia", detalhou Sant'Anna.
Ela acrescentou: "A principal função dessas forças é, de maneira covarde, proteger o regime contra a própria população".
O ataque ao Irã levanta preocupações sobre a estabilidade do regime de Khamenei, conforme indicado por analistas políticos em Israel.
Além disso, o Irã teme que os ataques dos EUA reacendam os protestos contra o governo.
Os EUA sancionaram iranianos supostamente responsáveis pela repressão durante os protestos.
A repressão interna torna difícil a mudança de regime.
Sant'Anna enfatizou que essas forças de segurança têm como principal objetivo defender o regime dos cidadãos iranianos. "Embora o Irã se mostre militarmente frágil frente a outras nações, internamente eles são extremamente ferozes", observou.
A analista, que visitou o Irã quatro vezes, presenciou a repressão em 2009, durante os protestos contra a fraude eleitoral na reeleição de Mahmoud Ahmadinejad.
"Vi jovens corajosos enfrentando a polícia, sendo algemados com lacres de nylon e levados para a prisão de Evian, de onde muitos nunca mais saíram", relatou. "É um regime brutal".
"Falta uma conexão entre o desejo de derrubar esse regime, amplamente rejeitado, e as estratégias para fazê-lo, especialmente no enfrentamento desse aparato repressivo que permanece intacto", questionou a analista.
Limites da Intervenção Externa
Sant'Anna destacou que, embora os ataques recentes dos EUA tenham impactado a capacidade militar iraniana, isso não é suficiente para provocar uma mudança de regime.
"Destruir mísseis, a marinha de guerra, defesas antiaéreas e até mesmo milícias apoiadas pelo Irã é uma questão geopolítica importante. Contudo, para uma mudança interna, é necessário desmantelar o aparato repressivo, que continua intacto", explicou.
A analista também criticou declarações de figuras como Donald Trump e Reza Pahlavi, descendente do último xá iraniano, que incentivam os iranianos a protestar. "É irresponsável fazer esse tipo de apelo, pois sabemos como eles são tratados nas ruas. Milhares de iranianos foram mortos, especialmente em janeiro, e dezenas de milhares foram presos, sem qualquer recurso ou direito à defesa", afirmou.
Por fim, Sant'Anna concluiu que não existe uma oposição organizada no Irã capaz de destituir o regime atual. "Não há uma organização, oposição estruturada ou partidos, muito menos grupos armados. Para derrubar esse regime, seria necessária uma guerra civil".
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