Alvos da PF por desviar verbas da saúde, dirigentes do INTS movimentaram R$ 189 milhões em sete anos
Dirigentes do INTS movimentam R$ 189 milhões sob investigação da PF
Por: Jairo Costa Jr. no dia 17 de junho de 2025 às 13:33
Atualizado: no dia 17 de junho de 2025 às 13:41
Os líderes do Instituto Nacional de Tecnologia em Saúde (INTS) estão sob investigação da Polícia Federal (PF) por suspeitas de desvio de verbas da saúde em Salvador. Entre outubro de 2013 e setembro de 2020, eles movimentaram pelo menos R$ 189 milhões, conforme um relatório da Operação Dia Zero. Essa quantia inclui tanto o fluxo financeiro em contas pessoais dos diretores da organização quanto em nome de familiares. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em Salvador, Mata de São João, Itapetinga e Maceió. O documento aponta que a responsabilidade pela operação fraudulenta recai apenas sobre diretores do INTS e um servidor da Secretaria Municipal de Saúde, sem envolver membros da alta administração da prefeitura.
Teia de corrupção
Os investigadores revelaram que o superintendente-geral do INTS, Ian dos Anjos Cunha, movimentou cerca de R$ 40 milhões durante o período investigado. Ele é sócio de seis empresas ligadas aos desvios: IFC Sistemas, IE Tecnologia, Medkey System Brasil, Lead One Marketing Digital, Santo Verde e Cubo Consultoria. Essas empresas recebiam repasses do INTS e transferiam valores significativos para as contas de Cunha.
Homem de milhões
Evertton Tavares Gomes Freitas, um dos principais articuladores do esquema e diretor da instituição, registrou operações financeiras que somam cerca de R$ 41,5 milhões em sete anos. Ele também recebeu R$ 3,1 milhões diretamente de empresas ligadas a Cunha durante os contratos investigados.
Passa e repassa
O superintendente de Relações Institucionais, Geraldo Andrade Filho, movimentou R$ 10,8 milhões. Foi apurado que ele utilizou a empresa Alvo Treinamento Profissional para receber valores de empresas beneficiadas com recursos do INTS. Essas empresas transferiram R$ 2,65 milhões para a Alvo Treinamento, que repassou R$ 1,36 milhão a Geraldo.
Laços de família
As operações de débito de Geraldo incluíram transferências significativas para sua esposa, Samantha Diniz Andrade, totalizando R$ 1.145.700,00 em três anos. Além disso, Samantha recebeu R$ 2.036.644,55 de empresas que prestaram serviços ao INTS.
Entre irmãos
O superintendente de Planejamento, Allan Wailes de Holanda Cavalcanti, utilizou sua irmã, Barbra Wailes Sá, para movimentar grandes quantias. As investigações revelaram um fluxo financeiro de R$ 97,2 milhões em suas contas durante o período. Mesmo com um salário de apenas R$ 3,3 mil na prefeitura de Itapetinga, Barbra é sócia da Medical Solutions, uma das empresas intermediárias no esquema, que emitiu notas fiscais sem a efetiva prestação de serviços.
Dupla dinâmica
Dois outros dirigentes sob suspeita são Emanoel Marcelino Barros, ex-presidente do INTS, e Fábio Finamori Macedo, chefe da Diretoria de Contratos, que possui uma empresa beneficiada por repasses do INTS.
Poderoso chefão
As investigações, realizadas em conjunto pela PF e pela Controladoria-Geral da União, identificaram como central o servidor público Ariovaldo Nonato Borges Júnior, responsável por direcionar licitações que favoreceram o INTS.
Tudo nosso!
O relatório destacou que Ariovaldo Júnior atuava na Secretaria Municipal de Saúde para facilitar contratações fraudulentas, elaborando documentos e viabilizando pagamentos indevidos. E-mails obtidos mostram que ele colaborava com outras partes do grupo na elaboração de documentos antes mesmo das contratações formais.
Sob encomenda
A fraude licitatória tinha o objetivo de limitar a competitividade, favorecendo diretamente o INTS. O edital incluiu exigências indevidas, mesmo após alertas da Comissão Central Permanente de Licitação e da Procuradoria-Geral do Município.
La Dolce Vita
Os suspeitos ostentavam um estilo de vida luxuoso, supostamente sustentado por recursos desviados. Entre os locais alvo de busca, estavam imóveis de alto padrão em Salvador, e alguns investigados realizavam frequentes viagens internacionais.
Manual da camuflagem
Para dificultar o rastreamento dos valores, o grupo pode ter utilizado saques em espécie, transferências a corretoras de câmbio e constituição de empresas em setores variados, convertendo recursos desviados em bens de alto valor.
Braço largo
O INTS, atualmente presidido por José Urpia, já esteve envolvido em irregularidades com verbas públicas. Recentemente, foi alvo de denúncias em Aracaju por ilegalidades na gestão da Maternidade Lourdes Nogueira, o que levou a nova prefeita a solicitar uma auditoria.
Recordar é viver
Em 2020, o contrato do INTS com o governo da Bahia para a gestão de um hospital de campanha durante a covid-19 foi alvo de investigações por suspeitas de irregularidades, incluindo sobrepreços. O INTS só deixou o controle da unidade em 2023.
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