Alô, Blue Origin! NASA pode não usar a Starship na Artemis 3
NASA Reavalia o Uso da Starship na Artemis 3
A NASA anunciou uma reformulação significativa no programa Artemis, conforme noticiado nesta sexta-feira (27). Entre as diversas alterações de objetivos e cronogramas, um aspecto importante pode ter passado despercebido: a agência agora deixa em aberto a possibilidade de não utilizar a Starship lunar na Artemis 3.
A missão, que originalmente estava agendada para 2028 e marcaria o retorno de astronautas à Lua após mais de 50 anos, foi alterada. Agora, a Artemis 3 deve ocorrer em 2027, mas não incluirá um pouso; seu foco será testar a conexão em órbita lunar entre o módulo de pouso e a cápsula Órion.
Embora o módulo de pouso planejado fosse a Starship, a NASA expressou preocupações sobre o progresso dos testes da SpaceX com o megafoguete. No anúncio recente, a agência indicou que pode considerar o módulo da Blue Origin, caso este esteja mais avançado no momento da missão.
Durante a coletiva, representantes da NASA esclareceram que a Artemis 3 demonstrará tecnologias em órbita, incluindo o acoplamento entre a Orion e “um ou ambos os módulos de pouso comerciais da SpaceX e da Blue Origin”.
Mudanças na Seleção do Módulo de Pouso
Inicialmente, a NASA havia escolhido apenas a SpaceX para desenvolver o módulo de pouso. Contudo, após uma revisão do programa e uma ameaça de processo judicial, o módulo proposto pela Blue Origin passou a ser considerado para a futura Artemis 5.
Desde outubro do ano passado, a NASA tem abordado os desafios enfrentados pela Starship. O ex-administrador interino Sean Duffy revelou a intenção de abrir o contrato de pouso da Artemis 3 para concorrência, expressando insatisfação com o ritmo de desenvolvimento do megafoguete.
“Se fosse o caso, eles poderiam simplesmente ter afirmado que iriam acoplar a Orion ao módulo lunar Starship e realizar seus testes”, comentou Don Platt, chefe do Departamento de Ciências Aeroespaciais do Instituto de Tecnologia da Flórida, em entrevista ao Space.com. “Mas isso não foi mencionado.”
Atualmente, a Blue Origin, com seu módulo Blue Moon, é a única concorrente viável. A empresa de Jeff Bezos está focando suas energias no desenvolvimento do módulo, suspendendo voos turísticos.
A NASA parece cada vez mais preocupada com a dependência de um único fornecedor, intensificando a competição entre empresas privadas. O caminho até que a Starship lunar esteja operacional ainda é longo, e a agência espacial demonstra pressa em seus planos.
O Futuro do Programa Artemis
O novo cronograma mantém a Artemis 2, uma missão tripulada ao redor da Lua, programada para lançamento após 1º de abril, devido a problemas técnicos no estágio superior do foguete SLS.
A Artemis 3, que originalmente seria uma missão de pouso, agora levará astronautas para um encontro em órbita baixa da Terra com um ou ambos os módulos de pouso comerciais em 2027.
“O que nos ajuda a chegar à Lua? O encontro e acoplamento com um, ou idealmente ambos os módulos de pouso, nos proporciona a oportunidade de realizar testes integrados de um veículo do qual dependeremos no ano seguinte”, afirmou o administrador Jared Isaacman.
Essa abordagem lembra a estratégia da Apollo 9, que em 1969 testou o módulo lunar em órbita terrestre antes do pouso da Apollo 11.
Em 2028, a NASA planeja lançar duas missões de pouso: Artemis 4 e Artemis 5. Uma delas utilizará o módulo da SpaceX e a outra, o da Blue Origin. Caso apenas um dos sistemas esteja pronto, ele será utilizado em ambas as missões. A meta, a partir daí, é realizar um lançamento lunar anualmente.
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