Aliado de Maduro, líder do MP na Venezuela renuncia
Tarek William Saab entregou sua carta de renúncia ao presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, quase dois meses após a prisão de Nicolás Maduro, a quem é aliado. Com quase nove anos à frente do Ministério Público venezuelano, Saab agora assume o cargo de defensor do povo, cuja função é combater abusos estatais contra a população.
Na carta datada de terça-feira (24), Saab não menciona diretamente o ditador, mas defende o legado de sua gestão e afirma ter cumprido sua missão institucional. Ele destaca que sua decisão foi tomada após exercer o cargo “com fidalguia e honra”, em um momento que considera uma “circunstância histórica de excepcional desafio para o presente e o futuro de nossa Pátria”.
Saab argumenta que o Ministério Público atuou para “preservar a paz e proteger os direitos humanos de nosso povo em um período de agressões inimagináveis” à Venezuela.
Aos 63 anos, Saab assumiu o cargo em agosto de 2017, nomeado pela Assembleia Nacional Constituinte dominada pelo chavismo. Ele sucedeu a Luisa Ortega Díaz, que rompeu com o governo.
Antes de sua nomeação, construiu uma carreira política dentro do movimento bolivariano, atuando como deputado constituinte em 1999, deputado nacional e governador do estado de Anzoátegui. Em 2014, tornou-se defensor do povo e, três anos depois, foi alçado ao comando do Ministério Público.
Desde então, manteve um alinhamento político com o governo chavista, tornando-se um dos principais defensores institucionais de Maduro durante protestos e sanções internacionais, além de denúncias de violações de direitos humanos.
Organizações internacionais o acusaram de utilizar o Ministério Público para processar opositores e respaldar ações do Executivo. Ele, por sua vez, sustentava que sua atuação visava defender a soberania venezuelana contra investidas externas, principalmente dos Estados Unidos.
Durante o governo de Donald Trump, Saab caracterizou as sanções norte-americanas como ilegais e reiterou que o país sofria agressões externas. Em várias ocasiões, afirmou que o sistema de Justiça venezuelano atuava contra tentativas de desestabilização.
Ao longo dos anos, Saab se manifestou sobre a política brasileira em diversos contextos. Durante o governo de Jair Bolsonaro, criticou posições que considerava hostis à Venezuela e denunciou o que chamou de alinhamento automático com os Estados Unidos. Em relação a Lula (PT), expressou apoio à retomada do diálogo regional e à reconstrução das relações diplomáticas entre Brasília e Caracas.
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