Ali Khamenei, o implacável aiatolá que atravessou sanções, guerras e protestos no Irã
Ali Khamenei: A trajetória de um líder implacável no Irã
Agência O Globo
Equipe InfoMoney
28/02/2026 19h05
Atualizado 14 minutos atrás
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, faleceu neste sábado (28), após décadas no poder. Sua morte ocorre em um contexto de intensificação militar no país, a maior desde a Revolução de 1979.
Khamenei assumiu o cargo em 1989, sucedendo o aiatolá Ruhollah Khomeini. Durante seu governo, enfrentou sanções, conflitos por procuração e protestos internos frequentemente reprimidos, como as manifestações de 2022-2023 relacionadas à obrigatoriedade do véu para mulheres. Aos 86 anos, sua sucessão agora se torna um tópico central na política iraniana.
De acordo com o New York Times, os EUA estão focando em alvos militares no Irã, com uma operação prolongada prevista para destruir mísseis e a capacidade bélica de Teerã.
A Opep+ está considerando aumentar a produção de petróleo após os recentes ataques ao Irã, com a liderança da Arábia Saudita e Rússia discutindo medidas em uma reunião programada para domingo.
Um funcionário americano revelou que Trump vetou um plano de assassinato de Khamenei proposto por Israel no ano passado. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sempre considerou a eliminação do líder iraniano um objetivo estratégico, afirmando que isso poderia encerrar o conflito.
Em declarações à ABC News, um conselheiro de Trump comparou Khamenei a um “Hitler moderno”, acusando o Irã de buscar uma “guerra eterna” e de provocar um possível confronto nuclear.
Khamenei, veterano da guerra contra o Iraque (1980-1988), nunca deixou o país desde que assumiu o cargo. Em 1981, sobreviveu a uma tentativa de assassinato que o deixou com um braço paralisado, tornando suas viagens cercadas de mistério e segurança rigorosa.
Especialistas como Karim Sadjadpour, do Carnegie Endowment for International Peace, observavam que Khamenei enfrentava um dilema complexo: a falta de “acuidade física e cognitiva” para liderar o Irã em uma guerra moderna.
Durante seu governo, ele desenvolveu uma estratégia de projeção de poder sem se envolver diretamente em conflitos, apoiando grupos como Hamas, Hezbollah, os houthis no Iémen e o regime sírio da família Assad. No entanto, essa abordagem começou a falhar com os ataques israelenses intensificados a esses aliados, especialmente após a guerra em Gaza em outubro de 2023.
Jason Brodsky, da organização United Against Nuclear Iran (UANI), ressaltou que Khamenei se orgulhava de manter os conflitos longe das fronteiras do Irã, mas agora cometeu um grave erro de cálculo. A rapidez dos eventos ameaça ultrapassar a capacidade de resposta de Teerã.
Em junho, Israel lançou uma campanha militar sem precedentes contra o Irã, resultando na morte de altos comandantes e na destruição de instalações nucleares. Essa ofensiva ocorreu em um momento em que o Irã já enfrentava dificuldades econômicas devido a sanções internacionais relacionadas ao seu programa nuclear, o qual Teerã nega estar desenvolvendo.
Internamente, o legado de Khamenei é marcado por autoritarismo e repressão. Holly Dagres, pesquisadora do Washington Institute, explica que muitos iranianos desejam o fim da República Islâmica, mas preferem evitar um cenário de sangue e guerra.
A oposição é fragmentada, tanto dentro quanto fora do Irã. Reza Pahlavi, filho do último xá deposto em 1979, tem utilizado os recentes protestos para clamar pela queda do regime, incentivando a população a se manter firme.
Com a morte de Khamenei, o Irã enfrenta uma fase de incerteza. A Constituição estipula que um conselho de clérigos deve escolher o novo líder supremo, mas a elite militar e política também foi afetada pela atual ofensiva, aumentando o risco de disputas internas e instabilidade em meio a pressões militares externas e crise econômica.
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