Alexandre Ramagem – Wikipédia, a enciclopédia livre
Comendador da Ordem de Rio Branco
Alexandre Ramagem Rodrigues ComMM, nascido no Rio de Janeiro em 8 de maio de 1972, é um ex-delegado de polícia e político brasileiro, filiado ao Partido Liberal (PL). Ele atuou como diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) entre 2019 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, e foi deputado federal de 2023 a 2025.
Foi nomeado diretor-geral da Polícia Federal pelo presidente Bolsonaro, mas a decisão foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Como resultado, sua exoneração do cargo na ABIN também foi invalidada.
Em 2022, Ramagem foi eleito deputado federal, recebendo 59.170 votos. No entanto, em 11 de setembro de 2025, foi condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime fechado por crimes relacionados a organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e Golpe de Estado, juntamente com outros ex-integrantes do governo Bolsonaro. Após a condenação, foi demitido do cargo de delegado e teve seu mandato parlamentar cassado, tornando-se inelegível. Atualmente, encontra-se nos Estados Unidos, considerado foragido da Justiça brasileira.
Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), ingressou na Polícia Federal em 2005. Durante sua carreira, liderou divisões importantes e teve experiência em investigações relacionadas ao tráfico de drogas. Participou da coordenação de eventos como a Copa do Mundo de 2014, a Olimpíada de 2016 e a Rio+20. Foi parte da equipe da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro.
Em outubro de 2007, comandou a Operação Metástase, que prendeu 32 pessoas suspeitas de fraudar licitações da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Em entrevista, Ramagem detalhou as diversas formas de fraude que ocorriam, abrangendo contratos em áreas como saúde indígena e saneamento.
Coordenou as eleições de 2010 em Roraima, onde mais de cem crimes eleitorais foram registrados. Ramagem relatou a importância do fator financeiro naquele contexto, dado o pequeno colégio eleitoral do estado.
Em novembro de 2017, a PF deflagrou a Operação Cadeia Velha, que investigava uma organização criminosa liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral. Ramagem comentou sobre a interconexão entre os poderes Executivo, Legislativo e Tribunal de Contas em um esquema de corrupção.
Após a vitória de Bolsonaro nas eleições de 2018, Ramagem foi responsável pela segurança do presidente. Em março de 2019, assumiu uma assessoria na Secretaria de Governo, permanecendo até junho do mesmo ano.
Em julho de 2019, foi nomeado diretor-geral da ABIN, onde coordenou atividades de inteligência e estabeleceu um acordo de cooperação com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
A demissão de Maurício Valeixo, diretor-geral da PF, em abril de 2020, gerou uma crise no governo. O então ministro da Justiça, Sergio Moro, pediu exoneração após a demissão, alegando que a mudança estava ligada a investigações da PF.
A ala ideológica do governo apoiou a indicação de Ramagem ao cargo de diretor-geral. Sua nomeação foi bem recebida pelos delegados da PF, que destacaram sua qualificação técnica.
Entretanto, o PDT e o PSOL entraram com ações no STF para contestar a nomeação, alegando abuso de poder e questões de moralidade administrativa. A nomeação foi suspensa pelo STF em 29 de abril, com o ministro Moraes ressaltando que a PF não deveria ser um órgão de inteligência da presidência.
Após a revogação da nomeação, Rolando Alexandre de Souza foi indicado para o cargo de diretor-geral da ABIN.
Ramagem se manteve na direção da ABIN até 30 de abril de 2022, quando decidiu se candidatar a um cargo legislativo. Em 2 de outubro de 2022, foi eleito deputado federal pelo PL no Rio de Janeiro.
Em 2024, a Procuradoria-Geral da República iniciou investigações sobre Ramagem, suspeitando de corrupção relacionada ao uso de um software de espionagem durante sua gestão. Ele foi alvo de operações da PF, que buscavam evidências de crimes cometidos em seu período à frente da ABIN.
O Partido Liberal oficializou sua candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro em 22 de julho de 2024.
Em 21 de novembro de 2024, Ramagem foi indiciado por participação em um golpe de Estado, junto com ex-membros do governo Bolsonaro. Sua condenação, em 11 de setembro de 2025, resultou em uma pena significativa, além da perda de seu cargo e mandato.
Após a declaração de trânsito em julgado em 25 de novembro, o STF abriu caminho para a execução de sua pena. Ramagem, que está nos Estados Unidos, é considerado foragido, e o STF está preparando um pedido de extradição.
Em 15 de dezembro de 2025, foi revelado que Ramagem teria saído do Brasil clandestinamente. A Mesa Diretora da Câmara cancelou seu passaporte diplomático, tornando-o sem documentação válida nos Estados Unidos.
Ramagem votou a favor da PEC 3/2021, que modifica as regras para processos criminais contra parlamentares, o que gerou controvérsias no âmbito político.
← Voltar para as notícias