Alcolumbre nega anulação da quebra de sigilos bancário e fiscal de Lulinha
Alcolumbre rejeita pedido de anulação da quebra de sigilos de Lulinha
Atualizado em 03/03/2026 às 18:21
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-SP), negou na tarde desta terça-feira (3) a solicitação de parlamentares da base governista para anular a votação que autorizou a quebra de sigilo de Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula. A decisão foi anunciada durante uma sessão solene no plenário do Senado.
Na semana anterior, deputados e senadores da base governista foram à residência oficial de Alcolumbre, insatisfeitos com a deliberação que retirou a proteção sobre o filho do presidente. Eles alegaram que houve fraude na votação, que foi realizada de forma simbólica.
Alcolumbre argumentou que não havia "flagrante desrespeito ao Regimento Interno ou à Constituição Federal" e que não existia situação que justificasse uma "excepcional atuação" para anular a deliberação da CPMI.
Os membros da oposição, que fazem parte da CPMI, conseguiram aprovar o acesso às informações sobre Lulinha em uma sessão tumultuada. O requerimento foi apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
Viana comenta a decisão
O presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), declarou que a decisão de Alcolumbre não foi uma surpresa, pois foi apenas uma questão de cumprimento do regimento. Ele expressou confiança no resultado da votação e afirmou que a polêmica deve ser encerrada para que os trabalhos possam prosseguir de forma tranquila.
Viana também negou qualquer viés pessoal em suas decisões e garantiu que não haverá "blindagem" de nenhum requerimento, assegurando que todos serão votados, independentemente de sua origem.
Em relação ao pedido de prorrogação das atividades da CPMI, Viana informou que ainda aguarda um retorno de Alcolumbre, prevendo que a definição ocorra até o final da semana.
Oposição destaca a quebra de sigilo
Após a confirmação do resultado, o líder do Novo na Câmara, Marcel van Hattem (RS), ressaltou que Alcolumbre apenas confirmou a quebra de sigilo de Lulinha e de outros 85 alvos da investigação. Ele criticou a estratégia da base governista, considerando-a um erro.
“Quem errou na estratégia foi o líder do governo, Paulo Pimenta, e os demais parlamentares que pensaram que conseguiriam aprovar todos os requerimentos juntos”, afirmou.
Van Hattem explicou que a aprovação se deu por votação simbólica e que a ausência dos governistas no plenário foi crucial. Ele destacou que, enquanto os adversários estavam ausentes, a oposição aproveitou para aprovar os requerimentos.
Com a legalidade da sessão confirmada pelo Senado, o parlamentar enfatizou que as quebras de sigilo agora têm efeitos imediatos nas investigações sobre supostas fraudes na previdência.
“Sigilos quebrados, inclusive o de Lulinha. Documentos chegarão à CPMI, dele, do Vorcaro e de outros envolvidos nas fraudes contra os aposentados brasileiros”, concluiu.
Governo considera assunto encerrado
O líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT-AP), que foi autor do requerimento, afirmou que o Palácio do Planalto acata a decisão de Alcolumbre de manter a votação da CPMI do INSS.
Ele declarou que a controvérsia regimental foi resolvida e elogiou a atuação de Alcolumbre como magistral. Randolfe ainda anunciou que considera o assunto encerrado, afirmando que o senador baseou sua decisão no entendimento da advocacia e da consultoria do Senado.
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