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Água subterrânea de bilhões de anos pode abrigar variadas formas de vida

Muito abaixo da superfície terrestre, formas de vida ainda inexploradas estão sendo reveladas pela ciência. A maioria desses organismos é microscópica, mas a diversidade genética que apresentam pode ser tão vasta quanto, ou até maior, do que a encontrada na superfície.

Ambientes incomuns estão relacionados a águas extremamente antigas, aprisionadas em fraturas de rochas do escudo pré-cambriano há bilhões de anos. Essas formações geológicas surgiram nos primórdios da Terra, muito antes de os continentes adquirirem suas configurações atuais.

Águas pré-cambrianas sustentam ecossistemas isolados há bilhões de anos;

Reações químicas geram hidrogênio, uma fonte de energia subterrânea;

Rochas antigas sugerem uma crosta amplamente habitável;

Descoberta expande a busca por vida fora da Terra.

Águas ancestrais e a vida subterrânea

Em 2014, cientistas localizaram 19 minas no Canadá, África do Sul e Finlândia contendo água rica em hidrogênio na litosfera continental pré-cambriana. Em uma mina próxima à cidade canadense de Timmins, a quase três quilômetros de profundidade, foi registrada a água líquida mais antiga, com idades entre 1,5 e 2,64 bilhões de anos.

Essas águas ancestrais podem ser um refúgio para a vida subterrânea. Experimentos demonstram que reações químicas nas rochas geram grandes quantidades de hidrogênio, que serve como fonte de energia para microrganismos, independente da luz solar.

Um dos processos envolvidos é a decomposição radiolítica, onde a radiação natural quebra moléculas de água, liberando hidrogênio. Outro é a serpentinização, que altera minerais de rochas antigas e também produz esse gás, criando condições propícias para comunidades microbianas.

A importância das rochas pré-cambrianas

Como as rochas pré-cambrianas constituem mais de 70% da crosta terrestre, esses ambientes podem ser mais comuns do que se pensava. A geoquímica Barbara Sherwood Lollar descreve essas áreas como um “gigante adormecido”, capaz de sustentar vastos ecossistemas subterrâneos.

De acordo com Sherwood Lollar, essa descoberta representa uma mudança significativa na compreensão da habitabilidade da crosta terrestre. Ambientes antes considerados inertes podem, na realidade, abrigar vida ativa e diversificada.

Estudos indicam que o subsolo é rico em organismos quimiolitoautotróficos – microrganismos que obtêm energia por meio de reações químicas com minerais. Eles são semelhantes aos encontrados em fontes hidrotermais no fundo dos oceanos, onde água aquecida emerge por fissuras submarinas.

Essa hipótese também amplia as perspectivas na busca por vida em outros planetas. Se processos semelhantes ocorrerem em locais como Marte, microrganismos poderiam sobreviver utilizando hidrogênio gerado por reações químicas nas rochas, mesmo na ausência de luz solar.

Pesquisas sugerem que o interior da Terra pode conter até três vezes mais água do que todos os oceanos da superfície. Contudo, essa água não está em estado líquido, sólido ou gasoso, mas sim aprisionada na estrutura molecular de minerais sob alta pressão e temperatura.

Embora essa reserva profunda não seja acessível à vida conhecida, ela reforça a ideia de que a Terra é, de fato, um planeta aquático em múltiplos níveis, incluindo regiões invisíveis aos nossos olhos.


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