Agro atinge recorde de 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, diz Serasa
Agro atinge recorde de 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, diz Serasa
09/03/2026 06h48
Atualizado 2 horas atrás
A crise financeira do agronegócio, que respinga sobre os bancos, resultou em 1.990 pedidos de recuperação judicial no ano passado, salto de 56,4% ante 2024, segundo dados da Serasa Experian. O número de pedidos foi o maior desde que a consultoria de dados começou a monitorar o setor, em 2021.
Na avaliação da Serasa Experian, o cenário de 2025, com juros nas alturas e margens apertadas por cotações em baixa, apesar da expectativa de mais uma safra recorde, seguiu pressionando a saúde financeira dos produtores, especialmente daqueles excessivamente endividados.
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Em nota, o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, disse que “o ambiente de crédito mais restritivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e a uma alavancagem elevada, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais”.
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O Brasil colheu uma quantidade recorde de grãos ano passado, e a agropecuária saltou 11,7% no Produto Interno Bruto (PIB, valor de todos os bens e serviços produzidos na economia) de 2025, como informou o IBGE semana passada, mas nem isso nem a perspectiva de mais uma supersafra este ano bastam para evitar a crise financeira.
Cotações de grãos em queda e insumos e juros em alta, mesmo com os subsídios do governo, vêm comprimindo as margens de lucro dos produtores desde a safra 2023/2024, levando a desequilíbrios financeiros que se acumulam como bola de neve, como mostrou O GLOBO no início da safra atual.
As estimativas para a produção de grãos na safra que será colhida este ano seguem apontando para mais um recorde em quantidade, mas isso não será suficiente para melhor a situação financeira, disse Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Tudo por causa dos juros elevados.
A crise financeira do agronegócio tem atingido em cheio os balanços financeiros dos bancos públicos que mais emprestam para os pequenos produtores, como Banco do Brasil (BB) e Caixa.
Na semana passada, a Caixa informou que os créditos do agronegócio considerados problemáticos na carteira de crédito da Caixa triplicaram em um ano, de R$ 4 bilhões para R$ 12 bilhões, levando o banco público a aumentar as provisões para créditos duvidosos.
Com isso, o lucro líquido recorrente do banco tombou 39,6% no quarto trimestre ante igual período de 2024, para R$ 2,8 bilhões.
Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), destacou que o financiamento do plantio da safra 2026-2027 ainda será feito com taxas elevadas. E, em meio à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, novas pressões inflacionárias poderão limitar o ciclo de queda na Taxa Selic, esperado para começar neste mês, como sinalizou o Banco Central (BC).
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