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Agentes do ICE recebem menos treinamento que outros policiais dos EUA

Oficiais do Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro dos EUA, conhecido como ICE, recebem significativamente menos treinamento em comparação a outros agentes federais. Uma análise da CNN revela que a formação dos oficiais do ICE é inferior até mesmo à de funcionários encarregados de investigar contrabando de animais exóticos.

Historicamente, a quantidade de treinamento já era reduzida, mas a situação se agravou com a recente redução pela metade do período destinado à formação de novos recrutas, em meio às exigências de deportação e ao aumento de contratações durante a administração Trump.

Marc Brown, ex-instrutor no Centro Federal de Treinamento para Aplicação da Lei (FLETC), afirma que os oficiais não estão recebendo o treinamento adequado para suas funções. "Os erros que antes eram cometidos durante o treinamento agora estão ocorrendo em campo", disse ele.

A pesquisa da CNN analisou os requisitos de treinamento de cerca de 30 funções em 20 agências federais e constatou que apenas oficiais de liberdade condicional e guardas prisionais recebem menos dias de formação que os do ICE.

Agentes de outras agências federais, como investigadores do Serviço de Receita Federal e oficiais do Serviço Secreto, são submetidos a mais do que o dobro do tempo de treinamento.

Inclusive, cargos federais menos conhecidos, como os da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, que protege áreas de pesca, também requerem mais formação que os do ICE.

A análise incluiu dados públicos mais recentes, já que várias agências não responderam aos pedidos de informação.

Para os oficiais de deportação, a carga de treinamento foi reduzida de 20 semanas, cerca de 100 dias, para 42 dias sob a administração atual. Já os agentes especiais da divisão de Investigações de Segurança Interna do ICE, que realizam investigações sobre terrorismo, recebem um treinamento mais longo.

O ICE está contratando, em sua expansão, dez vezes mais agentes de deportação do que agentes da HSI. Os agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras, que auxiliam o ICE, também passam por treinamentos mais extensos.

A agência afirmou que não houve cortes no conteúdo do treinamento dos agentes de deportação, embora a CNN tenha encontrado inconsistências na declaração, como a falta de documentação que comprovasse as mudanças recentes.

Apesar de afirmar que o treinamento agora é de 12 horas por dia, a análise da CNN concluiu que os agentes de deportação ainda ficam em último lugar em comparação a outras funções federais.

As críticas sobre a transparência dos dados de treinamento têm aumentado, com Deborah Fleischaker, ex-chefe de gabinete do ICE, questionando a clareza da duração e qualidade do treinamento.

O denunciante Ryan Schwank, que recentemente deixou seu cargo, alertou que o nível atual de formação não atende aos padrões legais e que "treinamento insuficiente pode levar a perdas de vidas".

Brown, o ex-treinador do FLETC, expressou preocupação quanto à compressão de conteúdos importantes em um período de 12 horas, questionando o que pode ter sido perdido na nova abordagem simplificada.

Além disso, o nível de treinamento para os oficiais de deportação não estava adequado para atender as exigências da nova estratégia do ICE, que aumentou a pressão para apreensões de imigrantes.

Embora a redução do treinamento não tenha sido um fator em incidentes notórios de uso da força, o ICE treina em um centro federal de Glynco, Geórgia, que oferece instalações extensas.

A agência não comentou a análise da CNN, mas argumentou que os novos recrutas são, em sua maioria, experientes em aplicação da lei.

O ICE justificou a redução do tempo de treinamento como uma simplificação para incorporar avanços tecnológicos, afirmando que os padrões básicos foram mantidos.

Rashawn Ray, pesquisador do Brookings Institution, manifestou preocupação com a qualidade dos candidatos devido à diminuição dos requisitos.

As preocupações sobre a formação de oficiais têm crescido ao longo dos anos, com um relatório de 2018 já alertando para a sobrecarga no programa de treinamento durante a administração anterior.

Schwank reiterou que novos cadetes estão se formando sem demonstrar um entendimento adequado das táticas e leis necessárias, alertando que isso pode resultar em oficiais mal preparados para suas funções.


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