Cid Gomes

Afastamento de Cid e do MEC: os motivos de Camilo

Em fevereiro de 2025, uma conversa reveladora ocorreu no gabinete do senador Cid Gomes (PSB-CE) no Senado Federal. Mais que uma simples entrevista, o encontro incluiu café e discussões sobre a conjuntura política do Ceará e os planos futuros do senador, uma das principais lideranças do Estado.

Durante a conversa, indaguei sobre a relação dele com o ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE). Cid assegurou que a interação entre eles era positiva, com diálogos semanais sobre a política local. Contudo, a situação se alterou significativamente. Na última quarta-feira, Cid declarou que a proximidade com Camilo havia se perdido. O que levou ao desgaste dessa relação em apenas um ano?

A análise aponta para vários fatores, mas duas razões principais se destacam. Em primeiro lugar, Cid sentiu-se marginalizado por Camilo e pelas lideranças do PT. Durante a eleição de Evandro Leitão (PT-CE), o senador foi praticamente convocado para ajudar na reta final da campanha, uma vez que a liderança de André Fernandes (PL-CE) nas pesquisas era preocupante. Cid atuou ativamente, mobilizando prefeitos e fazendo campanha de porta em porta, sendo crucial para a vitória.

No entanto, em 2025, Cid percebeu que estava sendo deixado de lado. Ele observou manobras do PT em votações que considerava essenciais no Congresso Nacional e sentiu que Camilo não estava fazendo o suficiente pelo seu candidato ao Senado, Junior Mano (PSB-CE).

Por outro lado, o ministro enfrenta um dilema. Embora reconheça o desejo de Cid, precisa equilibrar a campanha de Lula e do PT, além de honrar a promessa feita a Eunício Oliveira (MDB-CE) de integrá-lo à chapa majoritária. Com tantos candidatos e poucas vagas, Camilo terá que tomar uma decisão difícil se quiser restaurar a parceria com Cid.

Camilo fora do MEC não é por governo do Ceará

Camilo Santana deve deixar o Ministério da Educação antes do prazo final de desincompatibilização, mas a motivação não é o governo do Ceará. É verdade que o PT e aliados consideraram a candidatura de Camilo contra Ciro Gomes (PSDB-CE) ao perceberem que ele liderava as pesquisas contra o atual governador, Elmano de Freitas (PT-CE); no entanto, essa possibilidade foi descartada, pelo menos por enquanto.

Naquele período, a candidatura de Rui Costa (PT-BA) ganhou destaque para substituir Jerônimo Rodrigues (PT-BA), devido à necessidade de acomodar na chapa o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner (PT-BA), e um nome do PSD. Com os partidos se alinhando, as candidaturas de Rui e Camilo foram suspensas.

Mas por que Camilo precisa deixar o ministério no prazo legal? Ele é considerado uma espécie de "reserva de luxo". Em caso de emergência, poderia ser candidato ao governo ou à presidência.

Com Lula já na terceira idade e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP), relutando em concorrer a cargos eletivos, Camilo se destaca como uma das opções do partido. Além disso, se Elmano for afastado por algum motivo, Camilo poderia ser um substituto viável. No entanto, por ora, pesquisas ou aspirações pessoais não garantirão a candidatura de Camilo ao governo.


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