Advogado detalha esquema de fraudes no INSS; CPMI vai ...
Advogado revela fraudes no INSS; CPMI solicitará prisões
Da Agência Senado | 01/09/2025, 20h36
Durante as primeiras horas de depoimento à CPMI do INSS nesta segunda-feira (1º), o advogado Eli Cohen apresentou suas investigações sobre um esquema de fraudes que afetou aposentados e pensionistas, resultando em débitos não autorizados em seus benefícios, muitos deles perpetrados por sindicatos e associações de fachada.
Com as informações fornecidas, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), solicitou que o colegiado encaminhe ao Ministério da Justiça e ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de prisão preventiva para os indivíduos mencionados por Cohen.
— Temos indícios suficientes de autoria, com provas da materialidade dos crimes. São os principais personagens de uma organização criminosa — afirmou o relator.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), apoiou o pedido e exigiu a prisão dos envolvidos, além do bloqueio dos bens das entidades associadas.
— É escandaloso que já tenhamos praticamente todo o esquema montado e que ainda não haja ninguém sob risco de prisão. Já passou da hora de pedirmos à Justiça que coloque na cadeia os principais envolvidos — declarou Carlos Viana.
Durante seu depoimento, Cohen revelou que as fraudes tiveram início em 2005 e, a pedido do presidente da CPMI, citou os nomes de indivíduos que supostamente coordenavam o esquema. Ele detalhou o papel de cada um, destacando as figuras do empresário Maurício Camisotti e do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "careca do INSS".
Cohen mencionou que, com as informações obtidas, denunciou o esquema à Polícia Civil de São Paulo em abril de 2023 e, dois meses depois, forneceu dados a jornalistas que noticiaram o escândalo.
Em resposta ao relator, ele listou empresas e entidades envolvidas, incluindo nomes de deputados federais que participaram de uma festa promovida pelo grupo empresarial Total Health (THG), controlado por Camisotti. Cohen expressou suspeitas de que as fraudes contaram com "suporte político" em diferentes esferas do governo.
— É um esquema criminoso empresarial, todos sabiam o que fazer. A intenção era aumentar a influência deles no Congresso e no INSS — afirmou Cohen.
O advogado confirmou que Camisotti controlava a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), que contava com mais de 500 mil associados e arrecadava cerca de R$ 20 milhões mensais em descontos fraudulentos. Mencionou também a União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unsbras) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap), todas ligadas a Camisotti. Juntas, essas associações podem ter movimentado aproximadamente R$ 1 bilhão, prejudicando cerca de um milhão de aposentados e pensionistas.
Cohen acusou outras entidades, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) e a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), de serem coniventes com os descontos irregulares, mas afirmou não ter conhecimento sobre a participação de ex-ministros da Previdência ou de ex-presidentes do INSS nas fraudes.
Após a revelação do esquema, Cohen relatou ter recebido várias ameaças anônimas. O relator, então, solicitou ao presidente da CPMI que peça à Polícia Federal proteção imediata para o depoente, garantia que Carlos Viana afirmou que seria confirmada.
O depoimento contou com a presença de senadores e deputados, incluindo Efraim Filho (União-PB), Rogério Marinho (PL-RN), e Orlando Silva (PCdoB-SP), entre outros.
Carlos Viana informou que a CPMI se reunirá três vezes por semana e que serão requisitadas informações sobre as visitas do "careca do INSS" à Câmara e ao Senado.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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