Acordo com EUA é possível ‘se diplomacia for priorizada’, diz ministro do Irã
Acordo com EUA é viável se diplomacia for priorizada, afirma ministro iraniano
24/02/2026 23h11
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou nesta terça-feira que um acordo com os EUA está "ao alcance", desde que a diplomacia seja priorizada. A declaração ocorre poucos dias antes de uma nova rodada de negociações entre os dois países, agendada para quinta-feira em Genebra.
Uma autoridade sênior dos EUA confirmou que os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner se reunirão com uma delegação iraniana durante as discussões.
A cotação do petróleo Brent caiu para US$ 70,58 após o Irã sinalizar sua disposição para um acordo, amenizando os impactos de recentes ataques ucranianos a oleodutos russos.
As negociações entre EUA e Irã foram reiniciadas no início deste mês, em meio ao aumento da presença militar americana no Oriente Médio. O Irã já havia ameaçado retaliar bases americanas na região em caso de ataque.
Araqchi ressaltou que há uma oportunidade histórica para um acordo sem precedentes, que poderá atender preocupações e interesses mútuos. Ele afirmou que o Irã está determinado a alcançar um acordo justo e equitativo rapidamente.
O vice-ministro das Relações Exteriores, Majid Takht-Ravanchi, também expressou a disposição do Irã em tomar todas as medidas necessárias para alcançar um entendimento com os EUA. Ele garantiu que a delegação iraniana entrará nas negociações em Genebra com total honestidade e boa fé.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, comentou que a diplomacia sempre foi a principal opção do presidente Donald Trump, embora ele esteja preparado para usar força letal, se necessário.
Uma autoridade iraniana revelou à Reuters que Teerã consideraria seriamente uma proposta de enviar metade de seu urânio altamente enriquecido para o exterior e diluir o restante, além de participar da formação de um consórcio regional de enriquecimento. Essa iniciativa seria uma troca pelo reconhecimento dos EUA do direito do Irã ao "enriquecimento nuclear pacífico", juntamente com a suspensão das sanções econômicas.
Takht-Ravanchi também advertiu que, se houver um ataque ao Irã, o país responderá conforme seus planos de defesa, enfatizando que um ataque americano representa uma "aposta arriscada".
As negociações indiretas do ano passado não resultaram em acordos, principalmente devido a desavenças sobre a exigência dos EUA para que o Irã abandonasse o enriquecimento de urânio em seu território, algo visto por Washington como um caminho potencial para a fabricação de armas nucleares. O Irã sempre negou ter intenções de desenvolver tais armamentos.
Os EUA se uniram a Israel em ataques a instalações nucleares iranianas em junho passado, dificultando efetivamente o enriquecimento de urânio, com Trump afirmando que as principais instalações nucleares do Irã foram "destruídas". Contudo, acredita-se que o Irã ainda detenha estoques de urânio enriquecido que Washington deseja que o país dispense.
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