infomoney

Ações da M. Dias Branco (MDIA3) caem mais de 10% após balanço com resultados fracos

Ações da M. Dias Branco (MDIA3) enfrentam queda de mais de 10% após resultados decepcionantes

27/02/2026 18h27

Atualizado há 8 minutos

O lucro líquido da M. Dias Branco (MDIA3) no quarto trimestre de 2025 apresentou uma queda de 10,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 157,9 milhões. Essa divulgação levou o mercado a reagir rapidamente, resultando em uma queda de 10,55% nas ações da empresa, que passaram a ser negociadas a R$ 23,40.

Os analistas da XP Investimentos apontam que o desempenho das ações está diretamente ligado à queda da margem bruta da companhia, em conjunto com um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e lucro final que ficaram abaixo das expectativas. Eles preveem que essa queda pode persistir nos próximos dias.

A pressão sobre a margem bruta foi atribuída a uma redução menor do que o esperado nos custos de matérias-primas, resultando em uma compressão de 78 bps (pontos-base) no trimestre, e 285 bps abaixo da estimativa da XP. O Bradesco BBI ressalta que o principal desafio da empresa é restabelecer o equilíbrio entre volumes, preços e margens.

O Ebitda ajustado foi de R$ 272 milhões, representando uma queda de 16% em relação ao trimestre anterior e 14% abaixo das expectativas do BBI. A margem Ebitda ajustada caiu para 10%, com uma diminuição de 160 bps em relação ao trimestre anterior. Esse resultado foi 3,8 pontos percentuais inferior à média dos últimos 17 anos, refletindo os custos variáveis elevados e despesas operacionais fixas. Analistas afirmam que essas despesas precisam ser capturadas com um aumento na alavancagem de volumes.

Os níveis de market share em biscoitos e massas permanecem próximos das mínimas recentes, o que indica um processo de recuperação potencialmente lento.

No quarto trimestre, a participação de mercado aumentou para 31,8%, mas este crescimento coincidiu com uma queda nos preços. O BBI observa que a empresa tem enfrentado uma relação desfavorável entre preços e margens. A margem bruta, que atingiu seu pico de 33,4% no segundo trimestre de 2025, caiu para 31,6% no quarto trimestre, mesmo com a participação de mercado em alta.

A receita líquida ficou 7% acima da projeção da XP, totalizando R$ 2,7 bilhões, representando um aumento de 9% em relação ao ano anterior, mas uma queda de 2% no trimestre. Os analistas acreditam que, apesar dos preços estáveis, a companhia conseguiu expandir volumes em 10% ao ano, superando a expectativa da XP em 7%.

De acordo com o BBI, com custos ainda favoráveis para 2026, há a possibilidade de algum alívio, embora a trajetória de normalização permaneça incerta. Revisões negativas de lucro no curto prazo ainda são consideradas uma possibilidade.


← Voltar para as notícias