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Abuso sexual: como uma parede de tijolos levou policiais a salvar menina que sofreu anos na mão de um criminoso

Abuso sexual: a parede de tijolos que levou à salvamento de uma menina

Greg Squire, investigador especializado em crimes online, enfrentava um beco sem saída enquanto tentava resgatar uma menina chamada Lucy, vítima de abusos sexuais. Imagens perturbadoras dela circulavam na dark web, uma parte criptografada da internet acessível apenas por softwares especiais, dificultando a identificação do abusador.

Apesar de seus esforços para apagar rastros, Squire logo percebeu que a maior pista para localizar a menina estava diante de seus olhos. Ele atua no Departamento de Segurança Interna dos EUA, em uma unidade dedicada a identificar crianças em material de abuso sexual.

Uma equipe da BBC, incluindo o repórter João Fellet, acompanhou o trabalho de Squire e outras unidades de investigação em diferentes países, documentando histórias impactantes de resgates e prisões.

A motivação de Squire para o trabalho muitas vezes estava relacionada à idade de Lucy, que era similar à de sua própria filha. Novas fotos dela apareciam frequentemente, mostrando a menina sendo agredida em um ambiente que parecia ser seu quarto.

Foi possível identificar que Lucy estava na América do Norte através de elementos nas imagens, como o tipo de interruptor e tomadas. Contudo, a busca se complicou quando o Facebook, na época uma das maiores plataformas de mídia social, alegou não ter ferramentas para ajudar, apesar de sua tecnologia de reconhecimento facial.

A equipe de Squire analisou cada detalhe do quarto de Lucy, incluindo colchas e brinquedos, em busca de pistas que pudessem levá-los a ela. Um avanço surgiu ao identificarem um sofá específico, cuja venda era restringida a uma região nos Estados Unidos, mas que ainda abrangia cerca de 40 mil pessoas.

A busca se intensificou quando uma parede de tijolos no quarto de Lucy se tornou um possível ponto de partida. Squire contatou a Associação da Indústria de Tijolos, que o conectou a John Harp, um especialista em tijolos. Harp reconheceu o tipo específico de tijolo, chamado Flaming Alamo, que havia sido fabricado entre os anos 1960 e 1980.

Embora a lista de clientes da fábrica fosse limitada e não digitalizada, Harp mencionou que tijolos pesados não costumam ser transportados a longas distâncias. Isso permitiu que a equipe restringisse ainda mais a lista de possíveis endereços.

Após análises, a equipe encontrou uma foto de Lucy em uma rede social, que a ligava a uma mulher adulta. Usando essa informação, localizaram o endereço da mulher e, posteriormente, todos os locais onde ela havia residido.

Com a nova abordagem, a equipe enviou fotos de casas para Harp, que analisou se poderiam ter tijolos do tipo Flaming Alamo. Após várias tentativas, eles identificaram um endereço que possivelmente continha a parede de tijolos que buscavam.

Ao investigar, descobriram que Lucy havia vivido com o namorado de sua mãe, um criminoso sexual condenado, que a havia abusado por seis anos. Agentes do Departamento de Segurança Interna rapidamente prenderam o suspeito, que foi condenado a mais de 70 anos de prisão.

Harp, emocionado com o resultado, compartilhou sua experiência como pai adotivo e a importância do trabalho realizado pela equipe de Squire.

No entanto, o trabalho de Squire não veio sem custos. Ele enfrentou problemas de saúde mental devido à pressão constante e, após uma série de dificuldades pessoais, procurou ajuda.

Ele enfatizou a importância de expor suas vulnerabilidades e de fazer parte de uma equipe que realmente faz a diferença.

Recentemente, Squire teve a oportunidade de reencontrar Lucy, agora uma mulher de 20 e poucos anos. Ela expressou que a estabilidade em sua vida lhe permitiu falar sobre suas experiências de forma mais aberta.

Squire lamentou não ter podido avisá-la sobre sua missão de resgate, desejando ter a capacidade de comunicar-se telepaticamente.

A BBC questionou o Facebook sobre a falta de uso de sua tecnologia de reconhecimento facial no caso de Lucy, recebendo uma resposta que enfatizava a proteção da privacidade do usuário, embora se comprometesse a apoiar as autoridades.


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