A onda de violência que já matou mais de 60 no México após morte do traficante mais procurado do país
Onda de violência no México após morte de traficante
A onda de violência que se abateu sobre o México resultou na morte de mais de 68 pessoas, incluindo 25 membros da Guarda Nacional, após a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG).
Após a captura de Oseguera, que ficou gravemente ferido em um confronto com forças especiais, o cartel desencadeou uma série de ataques em 20 Estados. Estabelecimentos comerciais, bancos e farmácias foram incendiados, e vias foram bloqueadas com veículos em chamas. Em várias localidades, pregos e objetos pontiagudos foram espalhados nas estradas, enquanto ônibus e carros eram incendiados.
Na segunda-feira, o governo mexicano anunciou o envio de 2.500 militares para o oeste do país, somando-se aos 7.000 soldados que já atuavam em Jalisco. A morte de "El Mencho" ocorreu em 22 de fevereiro, enquanto ele era transportado para a Cidade do México.
Segundo o secretário de Defesa Nacional, Ricardo Trevilla Trejo, a captura foi possível após a identificação de uma das parceiras românticas de Oseguera. A operação culminou em um intenso confronto, levando à sua morte.
O clima de terror se espalhou rapidamente, com relatos de ataques e pânico em cidades como Guadalajara e Puerto Vallarta. Imagens mostraram colunas de fumaça e tumultos em aeroportos, onde turistas foram vistos correndo em busca de abrigo.
A violência causou a suspensão de aulas em várias localidades e o cancelamento de eventos esportivos. As autoridades recomendaram que os cidadãos permanecessem em casa, resultando em ruas desertas.
O governador de Jalisco, Pablo Lemus, decretou "código vermelho", suspendendo o transporte público e cancelando aulas presenciais. Embora muitos bloqueios tenham sido removidos, a tensão permanece alta.
A violência atual lembra os confrontos que ocorreram em Sinaloa após a captura de outro traficante, Ovidio Guzmán López, em 2019. Na ocasião, os confrontos foram tão intensos que as autoridades optaram por libertá-lo para evitar mais derramamentos de sangue.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu calma à população, destacando que a maioria do país segue normalmente. Ela elogiou as forças de segurança pela operação que resultou na captura de "El Mencho", que era uma prioridade tanto para o governo mexicano quanto para os EUA, onde era visto como um dos principais traficantes de fentanil.
A operação para capturar Oseguera contou com o apoio da Guarda Nacional e da Força Aérea, e informações fornecidas pelos EUA foram cruciais para sua prisão. O Departamento de Estado dos EUA havia oferecido uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à captura do líder do cartel.
Nascido na região de Tierra Caliente, em Michoacán, "El Mencho" teve uma trajetória marcada por detenções e envolvimento com o tráfico de drogas. O CJNG, sob sua liderança, se tornou uma das organizações mais poderosas do México, expandindo seus negócios e influência.
No entanto, rumores sobre a saúde de Oseguera começaram a circular em 2022, e seu filho e esposa também foram alvo de ações legais, refletindo a fragilidade da estrutura do cartel diante da pressão das autoridades.
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