Chico Buarque

A música de Natal que Chico Buarque fez para imobiliária dar de presente a clientes e virou raridade

A canção natalina de Chico Buarque que se tornou uma raridade

Na letra, melodia e interpretação de Chico Buarque, a canção natalina foge do estilo solene típico de corais, trazendo uma atmosfera mais alegre e descontraída, similar a uma marchinha de Carnaval.

Aos 23 anos, em 1967, o artista foi contratado pela Clineu Rocha S.A., a maior imobiliária de São Paulo, para compor uma música de Natal. Embora não fosse um jingle publicitário no sentido estrito, a canção, intitulada Tão Bom Que Foi o Natal, foi distribuída como brinde de fim de ano aos clientes da empresa, sem mencionar diretamente a marca.

A letra reflete o estilo poético de Chico, apresentando um clima de crônica e brincadeiras sonoras. A canção inclui versos que retratam a alegria do Natal e a inocência das crianças.

O pesquisador musical Giovani Marangoni destaca que, apesar de ser uma obra comercial, a música possui qualidades que são marcas registradas de Chico. Ele observa uma ingenuidade e uma poética que brinca com as palavras, semelhante a outras canções do artista.

O compacto que continha a canção começava com um narrador apresentando Chico Buarque como "ídolo de velhos, de moços e de crianças". A outra face do disco era composta por jingles promocionais da imobiliária, que se tornaram bastante populares na época.

Em 1968, a ideia inovadora da imobiliária recebeu uma menção honrosa no Prêmio Colunistas, um reconhecimento significativo na área de marketing e publicidade.

Naquele ano, Chico Buarque já era um nome conhecido, tendo lançado seu primeiro álbum em 1966, que continha sucessos como A Banda. A contratação tinha como objetivo associar a imagem do músico à imobiliária, transferindo parte de seu prestígio para o negócio.

Apesar do sucesso inicial, a parceria não teve um desfecho feliz. Nos anos seguintes, houve conflitos entre o artista e a imobiliária, que começou a veicular a canção em rádio, desrespeitando o acordo de que a música seria um brinde exclusivo.

Em 1977, Chico comentou sobre o incidente em uma entrevista, lembrando que a imobiliária enfrentou dificuldades financeiras e acabou fechando as portas. Ele ainda processou a empresa, recebendo compensação por uso indevido da canção.

Embora a assessoria do músico tenha afirmado que não poderia fornecer detalhes sobre o acordo, a canção aparece em seu site oficial, apesar de não constar em coleções mais amplas de sua obra.

A imobiliária Clineu Rocha, fundada por Clineu Rocha, se destacou no setor imobiliário nos anos 60, implementando inovações que influenciaram outras empresas do ramo. Infelizmente, a crise econômica dos anos 70 levou à sua decadência.

Atualmente, o compacto que contém a canção é considerado uma peça rara, com baixa circulação física. A música, no entanto, ganhou nova vida na internet e passou a integrar playlists dedicadas às raridades de Chico Buarque.

A especialista Gisele Jordão ressalta que a faixa não é amplamente conhecida, mesmo entre os fãs do artista, devido à sua limitada distribuição. O músico Bruno Leo Ribeiro expressou surpresa ao descobrir a história por trás da canção, evidenciando seu fascínio por esse capítulo da trajetória de Chico Buarque.


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